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Definição de Solo
O solo é um meio complexo e heterogêneo, produto de alteração do remanejamento e da organização do material original (rocha, sedimento ou outro solo), sob a ação da vida, da atmosfera e das trocas de energia que aí se manifestam, e constituído por quantidades variáveis de minerais, matéria orgânica, água da zona não saturada e saturada, ar e organismos vivos, incluindo plantas, bactérias, fungos, protozoários, invertebrados e outros animais.
São funções do solo:
- sustentação da vida e do “habitat” para pessoas, animais, plantas e outros organismos;
- manutenção do ciclo da água e dos nutrientes;
- proteção da água subterrânea;
- manutenção do patrimônio histórico, natural e cultural;
- conservação das reservas minerais e de matérias primas;
- produção de alimentos; e
- meio para manutenção da atividade sócio-econômica.
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Propriedades
O solo é constituído por três fases: sólida, líqüida e gasosa. A fase sólida é constituída pelo material parental (rocha) local ou transportado e material orgânico, originário da decomposição vegetal e animal. A fase líqüida, a água ou a solução do solo (elementos orgânicos e inorgânicos em solução), e a fase gasosa, de composição variável, de acordo com os gases produzidos e consumidos pelas raízes das plantas e dos animais (CO2 e O2).
As propriedades físicas, químicas e biológicas do solo são determinadas pelo processo geológico de sua formação, origem dos minerais, e sua evolução de acordo com o clima e o relevo do local, além dos organismos vivos que o habitam.
Dependendo da espécie mineralógica que deu origem e dos mecanismos de intemperismo e transporte, o solo apresenta diferentes conteúdos das frações: areias, siltes ou argilas. O tamanho relativo dos grãos do solo é chamado de textura e sua medida de granulometria (escala granulométrica ), para classificação da textura do solos. A Figura abaixo é apresentada a escala de textura utilizada para solo.
Os horizontes do solos ou seja, camadas que diferenciam-se entre si são formados a partir da modificação do material original, por meio dos processos de intemperismo, apresentando diferentes colorações de acordo com o grau de hidratação do ferro, dos teores de cálcio e óxido de sílício, além do teor de matéria orgânica nas camadas superficiais. O perfil do solo, é então, o conjunto dos horizontes e/ou camadas que abrangem, verticalmente, desde a superfície até o material originário. Os solos apresentam grande variedade ao longo de uma mesma região e entre diferentes regiões.
Os solos tropicais são mais profundos e mais quentes que os solos de clima temperado. Possuem mais alumínio que sílica e apresentam uma capacidade de troca catiônica – CTC- menor que os solos formados em clima temperado. A decomposição da matéria orgânica é mais rápida e as plantas absorvem mais água em comparação aos solos de clima temperado. Como há maior lixiviação de cátions em solos ácidos, arenosos, com baixo teor de matéria orgânica e baixa CTC, há maior possibilidade de uma substância atingir a água subterrânea.
A vegetação que cresce nesses solos tem capacidade de absorver poluentes e muitas vezes produzir safras aparentemente normais, mas que podem apresentar riscos ao consumo humano e de outros animais.
O tipo de material constituinte e sua granulometria influem nas propriedades do solo e nos mecanismos de atenuação e transporte de poluentes.
As propriedades físicas do solo (textura, estrutura, densidade, porosidade, permeabilidade, fluxo de água, ar e calor) são responsáveis pelos mecanismos de atenuação física de poluentes, como filtração e lixiviação, possibilitando ainda condições para que os processos de atenuação química e biológica possam ocorrer.
O movimento da água no solos se dá em um meio poroso heterogêneo, onde o tamanho, a forma e as conexões entre os vazios do solo e a viscosidade do fluído determinam a velocidade de passagem. Assim, o transporte e mobilidade de poluentes no solo dependem também da forma e tamanho das partículas que compõem um dado solo, assim como do seu grau de compactação.
A água que percola através dos solos, por ação da gravidade, é somente uma parte da água intersticial . Para fins práticos, não há um grande interesse sobre como se processa o escoamento através dos poros, mas sim pelo fluxo resultante através de uma porção de solo, o qual é influenciado pelo coeficiente de permeabilidade do solo, ou seja, pela sua condutividade hidráulica. Este coeficiente é um índice da maior ou menor dificuldade que o solo opõe � percolação de água através de seus poros.
Na Figura abaixo são apresentadas a escala das características de permeabilidade e drenagem dos solos relacionada textura.
As propriedades químicas dos solos (pH, teor de nutrientes, capacidade de troca iônica, condutividade elétrica e matéria orgânica) são, ao lado da atividade biológica, responsáveis pelos principais mecanismos de atenuação de poluentes nesse meio. Entre estes podem ser destacados a adsorção, a fixação química, precipitação, oxidação, troca e a neutralização que invariavelmente ocorrem no solo e através do manejo de suas propriedades podem ser incrementados.
O fenômeno de troca de íons no solo junto com a fotossíntese são reações que possibilitam a vida na Terra. Os cátions retidos nos colóides do solo podem ser substituídos por outros cátions. O solo é capaz de reter íons positivos e permutá-los por quantidades estequiométricas equivalentes.
A capacidade de troca de cátions de um solo é dado pela somatória das bases (potássio+cálcio+magnésio+sódio) mais a acidez potencial (alumínio + hidrogênio).
A matéria orgânica (humus) do solo inclui todos os compostos orgânico, exceto os materiais não decompostos e os organismos vivos (biomassa). A matéria orgânica pode ajudar no aquecimento do solo, no suprimento de nutriente para as plantas, permite troca de gases, estabiliza a estrutura e aumenta permeabilidade. Os organismos do solo são responsáveis pelos processos de decomposição.
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Salinização
A salinização dos solos é mais frequente em regiões tropicais de clima quente e seco, com elevadas taxas de evapotranspiração e baixos índices pluviométricos.
O aumento de sais solúveis em um solo, eleva o seu potencial osmótico, as plantas têm dificuldade de absorção água e nutrientes provocando a redução do seu crescimento, sendo também perceptível injúrias foliares.
A proporção relativa de sódio (Na) em relação a outros cátions (Ca e Mg) compromete a capacidade de infiltração do solo pela dispersão das argilas, provocando o escoamento superficial e a redução na produção da maioria das culturas agrícolas.
Parâmetros de controle e monitoramento utilizados para solos são: determinação de substâncias orgânicas e inorgânicas (metais) para comparação com valores orientadores, porcentagem de sódio trocável – PST (%) e porcentagem de potássio trocável em análises de fertilidade de solos para fins agrícolas.
Valores Orientadores
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Poluição
O solo atua frequentemente como um “filtro”, tendo a capacidade de depuração e imobilizando grande parte das impurezas nele depositadas. No entanto, essa capacidade é limitada, podendo ocorrer alteração da qualidade do solo, devido ao efeito cumulativo da deposição de poluentes atmosféricos, aplicação de defensivos agrícolas e fertilizantes e disposição de resíduos sólidos industriais, urbanos, materiais tóxicos e radioativos.
O tema poluição do solo vem, cada vez mais, se tornando motivo de preocupação para a sociedade e para as autoridades, devido não só aos aspectos de proteção saúde publica e ao meio ambiente, mas também publicidade dada aos relatos de episódios críticos de poluição por todo o mundo.
Apesar desta realidade, a poluição do solo ainda não foi plenamente discutida e ainda não existe um consenso entre os pesquisadores de quais seriam as melhores formas de abordagem da questão. Além das dificuldades técnicas, a questão política se reveste de grande importância pois, se não for adequadamente conduzida, o controle da poluição ficará muito prejudicado e terá conseqüências irreversíveis para a ciclagem de nutrientes (ciclo do carbono, nitrogênio, fósforo) na natureza e ciclo da água, prejudicando a produção de alimentos de origem vegetal e animal.
Historicamente, o solo tem sido utilizado por gerações como receptor de substâncias resultantes da atividade humana. Com o aparecimento dos processos de transformação em grande escala a partir da Revolução Industrial, a liberação descontrolada de poluentes para o ambiente e sua conseqüente acumulação no solo e nos sedimentos sofreu uma mudança drástica de forma e de intensidade, explicada pelo uso intensivo dos recursos naturais e dos resíduos gerados pelo aumento das atividades urbanas, industriais e agrícolas.
Essa utilização do solo como receptor de poluentes pode se dar localmente por um depósito de resíduos; por uma área de estocagem ou processamento de produtos químicos; por disposição de resíduos e efluentes, por algum vazamento ou derramamento; ou ainda regionalmente através de deposição pela atmosfera, por inundação ou mesmo por práticas agrícolas indiscriminadas. Desta forma, uma constante migração descendente de poluentes do solo para a água subterrâne ocorrerá, o que pode se tornar um grande problema para aquelas populações que fazem uso deste recurso hídrico. A Figura 1 apresenta sucintamente as fontes de poluição do solo e sua migração.
A preocupação com as conseqüências ambientais decorrentes desses fenômenos, especialmente no solo, só recentemente têm sido discutida. Cada vez mais o solo é considerado um recurso limitado, e fundamental no ecossistema mundial. Assim, o conceito de protege-lo tem sido objeto de intensas discussões e faz parte da agenda política dos países desenvolvidos.
A poluição do solo é um assunto complexo, não só pelas muitas funções que desempenha, mas também pelo seu reconhecimento como uma “commodity” econômica, isto é, possui um valor econômico intrínseco.
No momento em que um contaminante ou poluente atinge a superfície do solo, ele pode ser adsorvido, arrastado pelo vento ou pelas águas do escoamento superficial, ou lixiviado pelas águas de infiltração, passando para as camadas inferiores e atingindo as águas subterrâneas. Uma vez atingindo as águas subterrâneas, esse poluente será então carreado para outras regiões, através do fluxo dessas águas. A Figura 2 ilustra as formas de ocorrência de poluentes no solo e a Figura 3 os principais mecanismos de atenuação e transporte. O Quadro 1 apresenta uma lista de atividades de uso e ocupação potencialmente poluentes para o solo.
| Quadro 1 – Atividades de usos e ocupação do solo, potencialmente poluentes | |
|---|---|
| Aplicação no solo de lodos de esgoto, lodos orgânicos industriais, ou outros resíduos | Aterros e outras instalações de tratamento e disposição de resíduos |
| Silvicultura | Estocagem de resíduos perigosos |
| Atividades Extrativistas | Produção e teste de munições |
| Agricultura/horticultura | Refinarias de petróleo |
| Aeroportos | Fabricação de tintas |
| Atividades de processamento de animais | Manutenção de rodovias |
| Atividades de processamento de asbestos | Estocagem de produtos químicos, petróleo e derivados |
| Atividades de lavra e processamento de argila | Produção de energia |
| Enterro de animais doentes | Estocagem ou disposição de material radioativo |
| Cemitérios | Ferrovias e pátios ferroviários |
| Atividades de processamento de produtos químicos | Atividades de processamento de papel e impressão |
| Mineração | Processamento de Borracha |
| Atividades de docagem e reparação de embarcações | Tratamento de efluentes e áreas de tratamento de lodos |
| Atividades de reparação de veículos | Ferro-velhos e depósitos de sucata |
| Atividades de lavagem a seco | Construção civil |
| Manufatura de equipamentos elétricos | Curtumes e associados |
| Indústria de alimentos para consumo animal | Produção de pneus |
| Atividades de processamento do carvão | Produção, estocagem e utilização de preservativos de madeira |
| Manufatura de cerâmica e vidro | Atividades de processamento de ferro e aço |
| Hospitais | Laboratórios |
Um grande número de substâncias potencialmente perigosas pode estar presente em um local, embora geralmente suas concentrações sejam baixas. Essas substâncias freqüentemente estarão acumuladas perto do ponto em que foram processadas, estocadas ou utilizadas e isso é um dado importante na condução dos estudos efetivos do histórico do local. As concentrações determinadas nesses locais são comparadas aos valores orientadores para definição da condição de qualidade do solo.
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Efeitos da poluição atmosférica na vegetação
A cobertura vegetal é mais sensível a poluição atmosférica do que os animais. Com o passar do tempo, nas comunidades vegetais, os efeitos dos poluentes e suas interações podem resultar em uma série de alterações: eliminação de espécies sensíveis, redução na diversidade, remoção seletiva das espécies dominantes, diminuição no crescimento e na biomassa e aumento da suscetibilidade ao ataque de pragas e doenças.
A variabilidade da sensibilidade aos poluentes atmosféricos, entre as diversas espécies vegetais, é ampla tanto nível inter quanto a intra específico. Os efeitos podem ser agudos, danos causados pela ação de uma grande concentração de poluente em curto espaço de tempo, ou crônicos, quando a planta tem contato com uma pequena quantidade do elemento em um longo período. Observações de injúrias e a sensibilidade da vegetação tem sido um meio de monitoramento e controle das emissões.
De forma genérica, a seguir são descritos os sintomas e atuação dos principais poluentes sobre as plantas:
Dióxido de enxofre (SO2) – Entra na planta através dos estômatos, competindo com o CO2 , indo ao mesófilo, onde este reage com a água formando o íon sulfito. Em seguida o sulfito é oxidado lentamente para o íon sulfato e posteriormente convertido na forma orgânica.
Quando em excesso o íon sulfato acumula-se nas folhas sendo tóxico para as células mesofílicas. Os efeitos no metabolismo são a depressão da fotossíntese, transpiração e respiração, sendo as folhas adultas as mais sensíveis. Injúrias foliares típicas de efeitos crônicos são as cloroses internervais, e de episódios agudos são áreas foliares de tecidos mortos marginais e internervais com cor amarronzada. As reações induzidas nas plantas pelo dióxido de enxofre (SO2)tais como necrose, clorose, desorganização das células da folha e distúrbios no metabolismo não são específicas, isto é, não podemos confiar que devam-se exclusivamente ao SO2.
Injúrias foliares semelhantes podem ser produzidas por uso de agrotóxicos e água de irrigação ricas em sulfato.Sob influência e efeito de SO2 as plantas se tornam deformadas e o crescimento diminui. Tem sido adotado na literatura internacional como limite máximo considerado normal em plantas o teor de 0,4% de enxofre, ou seja 4,0 mgS/g p.s.
Fluoretos
Gases compostos tais como HF e tetrafluoreto de sílica provavelmente são os principais responsáveis pela injúria vegetação, enquanto que os materiais particulados como fluoreto de cálcio ou pó de criolita são depositados na superfície foliar onde têm pouco efeito na planta e são facilmente lavados pela chuva. A injúria vegetação é um resultado do gradual acúmulo nos tecidos da planta. A entrada principal é pelas folhas; alguma quantidade de fluoreto do solo pode ser absorvido pelas raízes, mas esta é insignificante na contribuição injúria. Os fluoretos gasosos aparentemente entram através dos estômatos ou diretamente pelas células e posteriormente são absorvidos pelas células mesofílicas. Eles se movimentam com a transpiração em direção as margens das folhas onde são acumulados.
Os sintomas característicos de injúrias foliares advindas de fluoretos são necroses e cloroses que ocorrem predominantemente no ápice foliar e região marginal onde os fluoretos acumulam. No início são de coloração verde acinzentada tornando-se marrom-avermelhada com o passar do tempo, com uma linha bem definida entre o tecido saudável e o necrosado O fluoreto atua como veneno em sítios metabólicos específicos, desencadeando desequilíbrio no funcionamento celular e nos processos fisiológicos da planta, que antecedem o aparecimento de injúrias visíveis. O aparecimento dessas injúrias ocorre em espécies sensíveis, quando o teor foliar de fluoreto excede 20 ppm, valor máximo considerado de ocorrência normal.
Óxidos de nitrogênio (NOx) – A maior razão da importância dos NOx como po1uentes é a sua participação em reações fotoquímicas produzindo ozônio troposférico (O3) e nitrato de peroxiaceti1 (PAN), dois oxidantes altamente fitotóxicos.
As injúrias foliares agudas são variáveis, aparecendo primeiramente na parte superior da folha. Ataca as células mesofí1icas levando a um colapso do tecido e sua toxicidade é consideravelmente maior quando as plantas são expostas ao po1uente no escuro. As necroses são irregulares em altas concentrações de dióxido de nitrogênio causa a queda de flores e frutos. O NO2 pode suprimir o crescimento da planta sem aparecer injúrias foliares.
PAN – Nas folhas produz um colapso na camada de células mesofílicas principalmente junto aos estômatos. O colapso total e necrose dos tecidos fo1iares ocorrem quando plantas suscetíveis são expostas a altas concentrações de PAN.
Ozônio troposférico (O3 ) – As injúrias atribuídas a este poluente atmosférico são geralmente pequenas pontuações de coloração diferenciada, que podem ser necroses, cloroses ou se apresentar como manchas variegadas. Esses sintomas são resultantes dos seguintes eventos: interação do ozônio com alguns componentes da célula do tecido foliar; colapso da célula e água concentrada na vizinhança da interação; branqueamento da clorofila dentro da célula injuriada; colapso da estrutura foliar em torno da célula danificada. Esse fotoxidante penetra nos espaços intercelulares e reage com compostos bioquímicos da parede celular e da membrana plasmática, desencadeando a formação de lesões necróticas foliares em casos de exposição aguda ou a senescência acelerada em casos de exposição crônica ao poluente. Em nível celular, segundo o conceito de interação célula-célula dentro da folha, a morte da célula conduz, rapidamente, morte de muitas células vizinhas (efeito amplificado). Tal fato deve-se ao desbalanço ion-água. O rombo produzido pelo ozônio em uma célula, com perda de água e de pressão, pode “sugar” a água das células vizinhas, através do plasmodesmo, causando injúrias em efeito cascata.
No que se refere ao valor de referência para proteção da vegetação, busca-se o conhecimento da dose mais baixa de ozônio capaz de produzir um efeito mensurável. O valor de 40ppb de ozônio (78,4 µg/m³.h) é citado, por diversos autores, como aquele a partir do qual injúrias podem ocorrer nas plantas de clima temperado.
Amônia – As injúrias foliares observadas em eventos agudos são descritas em literatura como um colapso agudo do tecido, com ou sem subsequente perda da clorofila. As folhas mostram aparência de cozidas, tornando-se marrons ou verde secas. Vários cereais em mostrado necrose e clorose internerval. Estudos em laboratório mostraram que este poluente pode provocar um agudo colapso dos tecidos foliares, com ou sem subsequente perda de clorofila. As folhas adultas são as mais sensíveis.
Material particulado – Pouco se sabe sobre seus efeitos. Muito dos particulados são inertes. Partículas alcalinas oriundas, por exemplo, de manufatura de cimento podem produzir danos vegetação próxima destas fontes. A deposição de particulados sobre as folhas intercepta a luz que atinge superfície foliar, reduzindo assim a fotossíntese. Além disso, os resíduos depositados nas folhas, podem originar um verdadeiro filme impermeável sobre a sua superfície prejudicando todos os processos que envolvam trocas gasosas.
Metais: boro, berílio, cádmio chumbo, mercúrio, níquel e zinco – Vários trabalhos associam estes elementos a injúrias na vegetação. Vale destacar que a disposição de resíduos e efluentes no solo podem acarretar a acumulação de metais na planta (parte aérea e raízes) antes da ocorrência de fitotoxicidade.
Poluentes
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Bioindicadores
O uso de bioindicadores vegetais no controle da poluição atmosférica
Bioindicadores, de uma maneira geral, são seres vivos de natureza diversa, vegetais ou animais, utilizados para avaliação da qualidade ambiental. Podem ser utilizados de uma forma passiva, quando se proceda uma avaliação dos seres que habitam a área de estudo, ou de uma forma ativa, expondo-se no ambiente espécies previamente preparadas. Tal exposição possibilitará, a partir de sua resposta, a avaliação da qualidade ambiental local.
A vantagem do uso de bioindicadores sobre os métodos convencionais de avaliação da qualidade ambiental está em seu baixo custo, podendo, inclusive, serem utilizados para a avaliação cumulativa de eventos ocorridos num determinado período de tempo, resgatando um histórico ambiental não passível de detecção ou medição por outros métodos.
A literatura internacional sobre o assunto é extremamente extensa, muito embora sua grande maioria seja referente a espécies vegetais e a locais específicos de clima temperado, não podendo ser diretamente aplicada para local de clima tropical, onde as plantas apresentam características diferentes e específicas, resultando em um comportamento ecofisiológico distinto.
Recomenda-se a utilização de bioindicadores específicos para cada poluente atmosférico, de forma a permitir sua identificação através dos sintomas característicos apresentados pelos vegetais. Encontram-se extensivamente na literatura bioindicadores vegetais da poluição atmosférica por fluoretos gasosos e ozônio troposférico.
A variedade de substâncias químicas tóxicas oriundas de diferentes atividades humanas (industriais, urbanas e agrícolas) que pode provocar danos ambientais é muito grande. Uma das ferramentas utilizadas para complementar a avaliação físico-química de efluentes é o ensaio com espécies vegetais. De maneira análoga aos métodos de avaliação da qualidade de efluentes para disposição em água superficial, utiliza-se esta ferramenta para avaliar a toxicidade de efluentes para a disposição no solo.
Apesar das limitações em se extrapolar os resultados dos ensaios de toxicidade para escala ambiental, os estudos com organismos em laboratório, em condições controladas e padronizadas para a avaliação das respostas desses ensaios, têm sido a fonte de informações predominantes para a avaliação ecológica dos efeitos dos contaminantes tóxicos.
A utilização do ensaio de germinação e alongamento de raízes, tem por objetivo avaliar a fitotoxicidade de uma substância química ou misturas químicas dispostas no solo.