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Toxicologia
A toxicologia é a ciência que estuda os efeitos nocivos produzidos pelas substâncias químicas sobre seres humanos, animais e plantas. No dia a dia, estamos todos expostos a diversas substâncias presentes, em pequenas concentrações, nos produtos de limpeza, nos inseticidas domésticos, nos medicamentos, nos alimentos, na água, no ar e na poeira, por exemplo.
As pessoas que tiveram contato ou que ficaram expostas às substâncias químicas liberadas ao meio em função de acidentes envolvendo a produção, o armazenamento, o manuseio, o transporte e o descarte em vias públicas, podem se intoxicar.
Isto é, poderão sentir mal estar, tontura, ter problemas respiratórios, apresentar irritações na pele entre outros sintomas de intoxicação. As plantas e os animais também poderão ser afetados. Os efeitos nocivos dependem das características do produto envolvido na ocorrência, da quantidade vazada, do tempo de exposição e da forma de exposição (direta ou indireta), entre outras variáveis.
As pessoas expostas podem ser, por exemplo, o motorista do caminhão que transportava o produto químico, os funcionários da indústria, os responsáveis pela segurança das rodovias, técnicos de segurança, Corpo de Bombeiros, Defesa Civil, curiosos, interessados em saquear a carga ou o meio de transporte avariado, e jornalistas que se aproximaram do local do acidente para saber o que estava acontecendo. Por estes motivos, é de fundamental importância:
- ter conhecimento sobre os perigos associados às substâncias químicas,
- usar equipamentos de proteção individual adequados,
- realizar detecção e monitoramento para delimitar as áreas de perigo e áreas seguras,
- isolar a área perigosa para evitar que pessoas sejam contaminadas,
- conhecer os aspectos de toxicologia humana para assistência a um acidente químico.
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Aspectos de toxicologia humana para assistência a emergências químicas
A quantidade de pessoas afetadas por um incidente químico pode ser mínima (um indivíduo) ou maior (milhares de indivíduos), pois os efeitos de determinadas substâncias no organismo podem se manifestar tanto de imediato como tempos depois do acidente, o que depende de vários fatores tais como intensidade da exposição, tipo do produto liberado e faixa etária.
Por exemplo, no caso do acidente na indústria química que fabricava o inseticida Carbaril, em 1984, em Bhopal, na Índia, a liberação de grande quantidade de isocianato de metila gerou uma nuvem tóxica que contaminou cerca de 40 km² de área.
Estima-se que 3.800 pessoas morreram nas primeiras horas após o vazamento, além de muitos animais (vacas, búfalos, cães e pássaros), 200.000 pessoas ficaram intoxicadas e nos vinte anos seguintes, mencionam entre 20.000 e 30.000 óbitos associados aos efeitos do produto e dos resíduos perigosos gerados (Broughton, 20051 e Portal EcoDebate, 20122).
Os hospitais locais ficaram lotados de vítimas em busca de socorro e as equipes médicas nada conheciam sobre a toxicidade deste gás e sobre seus efeitos à saúde. Como consequência o tratamento foi incerto e possivelmente inadequado.
Portanto, o conhecimento das propriedades físicas, químicas e toxicológicas das substâncias químicas utilizadas na produção (indústria), no armazenamento, no manuseio, no transporte, no uso, no descarte, e inclusive nas ações de combate é essencial para a segurança das equipes de resposta e para aplicação do tratamento efetivo e rápido às vítimas durante as emergências químicas.
Sob este ponto de vista, considera-se importante que os integrantes do sistema de combate tenham conhecimentos básicos de toxicologia para a assistência de uma emergência química. Estes conhecimentos facilitarão as atividades dos profissionais que participam na assistência da emergência bem como a proteção adequada para evitar os efeitos tóxicos. Conhecer os perigos e riscos ajuda a prevenir exposições às substâncias químicas.
Depois destas e outras ocorrências, nas décadas de 1980 e 1990 surgiram documentos internacionais como a Diretiva de Seveso na Europa3 e diretrizes da Organização Panamericana de Saúde/Organização Mundial de Saúde (OPAS/OMS) aconselhando que as autoridades locais devessem estar preparadas para tomar parte no processo de conscientização e preparação para acidentes químicos, incluindo o intercâmbio de toda a informação importante com a comunidade e a indústria local.
Assim, os hospitais e outras instalações destinadas ao tratamento, os profissionais de saúde, os centros de informação toxicológica e os centros para emergências químicas deveriam participar neste processo.
Frente à enorme quantidade de substâncias químicas atualmente disponíveis, a pergunta que surge é: “todas as substâncias químicas são tóxicas?”. Provavelmente a melhor resposta seria: “Não há substâncias químicas seguras, mas sim maneiras seguras de utilizá-las” (TIMBRELL, 1989)4.
- Broughton, E. The Bhopal disaster and its aftermath: a review. Environmental Health Journal, 2005 – acessado em março/2018;
- Portal EcoDebate, 2012 – Acessado em março de 2018.
- Diretiva de Seveso – acessado em março/2018;
- TIMBRELL, J.A. Introduction to toxicology. Taylor & Francis, London, UK, 1989. 155pp
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Conceitos básicos de toxicologia
Alguns termos de uso frequente em toxicologia são importantes e devem ser conhecidos, entre eles: substância perigosa, risco, toxicidade, doses, exposição, absorção, biodisponibilidade, distribuição, acumulação, biotransformação, eliminação e efeito tóxico.
Substância perigosa
Uma substância perigosa ou um agente perigoso tem a capacidade de causar dano em um organismo exposto. Um exemplo esclarecerá este conceito: a estricnina é uma substância química muito tóxica. Quando está dentro de um frasco perfeitamente fechado pode ser manipulada sem que nenhum efeito tóxico seja produzido. A toxicidade não mudou mas quando não está em contato com um organismo vivo não é possível evidenciar a sua capacidade de produzir o efeito tóxico (Ottoboni, 1991).
Risco
O risco é a probabilidade de aparecer um efeito nocivo devido à exposição a uma substância química perigosa.
Toxicidade
A toxicidade de uma substância química refere-se à sua capacidade de causar dano em um órgão determinado, alterar os processos bioquímicos ou alterar um sistema enzimático.
Roupas de proteção e equipamentos de respiração evitam exposição
Todas as substâncias, naturais ou sintéticas são potencialmente tóxicas; em outras palavras, podem produzir efeitos adversos para a saúde em alguma condição de exposição. É incorreto denominar algumas substâncias químicas como tóxicas e outras como não tóxicas. As substâncias diferem muito na toxicidade. As condições de exposição e a dose são fatores que determinam os efeitos tóxicos (Ottoboni, 1991).
Dose
Paracelso, no século XVI afirmou: “Todas as substâncias são tóxicas. Não há nenhuma que não seja tóxica. A dose estabelece a diferença entre um tóxico e um medicamento”. Esta afirmação ainda é muito importante para a toxicologia e envolve a ideia de dose.
Uma informação muito utilizada é aquela denominada Dose Letal 50 – DL50 que é a quantidade de uma substância química que quando é administrada em uma única dose por via oral, expressa em massa da substância por massa de animal, produz a morte de 50% dos animais expostos dentro de um período de observação de 14 dias (Swanson, 1997). Na tabela abaixo temos a classificação das substâncias baseadas no valor da DL50.
| DL50 aguda para algumas substâncias químicas | |
|---|---|
| Substância química | DL50 rato macho, via oral; mg/kg de peso corporal |
| Etanol | 7000 |
| Cloreto de sódio | 3000 |
| Sulfato de cobre | 1500 |
| DDT | 100 |
| Nicotina | 60 |
| Tetradotoxina | 0,01 |
| Dioxina (TCDD) | 0,02 |
Outro valor é a Concentração letal 50-DL50, que é a concentração no ar de uma substância química que quando é inalada constantemente por 8 horas produz a morte de 50% dos animais expostos.
Se a dose de uma substância for suficientemente alta poderá ser perigosa para qualquer ser vivo, assim como também se a dose de uma substância muito tóxica for baixa não produzirá efeito adverso nenhum. A água (um elemento essencial para a vida) quando é ingerida em grandes quantidades pode ter um efeito tóxico. A causa é que um volume superior àquele considerado como ingestão diária ideal para um adulto, entre 2 L e 2,5 L, pode causar a eliminação pela urina de substâncias que são essenciais para o organismo, como sais, por exemplo.
O período de tempo no qual uma dose é administrada e a frequência são informações também muito importantes que influem na resposta a intoxicação.
Outro dado importante é aquele denominado concentração de interesse (em inglês: levels of concern-LOCs), que é a concentração no ar de uma substância extremamente perigosa acima da qual poderá produzir efeitos graves à saúde ou a morte como resultado de uma única exposição durante um período relativamente curto. Algumas publicações (USEPA, 1987) consideram o LOC como a décima parte da concentração denominada de perigo imediato para a vida ou à saúde (cuja sigla em inglês é IDLH ou IPVS em português), segundo o publicado pelo National Institute of Occupational Safety and Health – NIOSH, ou um valor aproximado do IDLH para animais.
Exposição
Para que uma substância química possa produzir um efeito deve estar em contato com o organismo. As substâncias químicas podem ingressar no organismo por três vias principais: digestiva, respiratória e cutânea. Depois do ingresso, por qualquer destas vias, as substâncias químicas podem ser absorvidas e passar para o sangue, serem distribuídas no organismo todo, chegar a determinados órgãos onde são biotransformados, produzir efeitos tóxicos e posteriormente ser eliminadas do organismo.
Também uma substância química pode entrar no organismo por outras vias, por exemplo, injeção venosa ou intramuscular, mas estas vias não são de grande interesse do ponto de vista toxicológico, especialmente quando se trata de acidentes que envolvem substâncias químicas.
Uma forma muito utilizada para classificar as substâncias químicas segundo a toxicidade, está baseada na duração da exposição.
Geralmente, os toxicologistas procuram os efeitos da exposição aguda, sub-crônica e crônica, e também tentam entender o tipo de efeito adverso para cada uma destas três exposições.
Resíduos abandonados frequentemente contaminam corpos d’água e comunidades naturais
Absorção
A absorção implica que a substância química atravesse as membranas biológicas. No caso da ingestão de uma substância, esta pode ser absorvida em qualquer parte do trato gastrintestinal. A maior absorção ocorre no intestino delgado passando ao sistema circulatório pela veia porta, sendo, portanto, transportada diretamente ao fígado.
No homem e outros animais terrestres, a inalação é a via mais rápida pela qual uma substância química ingressa no organismo. Por exemplo, a inalação do éter etílico, um gás anestésico, que quando chega ao pulmão é absorvido, passa para o sangue e logo o efeito é observado. Também substâncias como o material particulado ou gases podem ingressar pela via respiratória.
A via cutânea é outra forma de ingresso importante. A espessura da pele nas distintas regiões do organismo influi na absorção.
Assim, na região do abdômen e do escroto, onde a pele é mais fina, a absorção é mais rápida que em outras onde a pele é mais grossa, como a planta dos pés ou a palma da mão. O paration é facilmente absorvido pela via cutânea.
Diferentes espécies de caranguejos mortos em manguezal por intoxicação com gasolina gerada por acidente rodoviário. Rodovia dos Imigrantes
Quando uma área grande de pele estiver em contato com uma substância química, a quantidade absorvida será maior que aquela numa superfície pequena. O tempo de contato também é importante, sendo maior a absorção quanto maior for o tempo de contato.
Biodisponibilidade
Alguns fatores físicos ou químicos podem afetar a absorção de uma substância em relação à quantidade que deverá ser absorvida e ao tempo de absorção. Por exemplo, nem todas as formas químicas de um metal são bem absorvidas no intestino; assim no caso de ingestão de mercúrio metálico, pouco será absorvido. Porém, o mesmo não acontece com um composto orgânico como o metilmercúrio, o qual é intensamente absorvido.
Os compostos de bário são tóxicos, mas o sulfato de bário é utilizado normalmente como meio de contraste nas radiografias do cólon uma vez que é um composto insolúvel em água e em gordura. Não poderia ser utilizado cloreto de bário porque a sua solubilidade em água seria suficiente para que fosse absorvida uma quantidade que produz efeitos tóxicos. Estes são alguns exemplos sobre a importância da forma química do composto em relação à absorção e toxicidade.
Distribuição
—Depois que a substância química é absorvida ela passa através do sangue por todo o organismo, causando os efeitos nocivos especialmente no(s) órgão(s) alvo.
Entende-se por órgão alvo o local onde primeiro se evidencia um efeito nocivo. Para produzir esse efeito a substância química deve atingir uma determinada concentração no órgão, o que está diretamente relacionado com o conceito de dose
Ave aquática morta em vazamento de BTX (benzeno, tolueno e xileno) em braço do Rio Pequeno, sistema Billings – SP
A existência de um órgão alvo não significa que nos outros órgãos não sejam verificados efeitos. À medida em que aumenta a dose e o tempo de exposição, outros órgãos podem também ser afetados.
Acumulação
Uma parte da substância química, que é distribuída no organismo, pode ser acumulada. Isto pode acontecer também no sangue já que algumas substâncias podem se unir às proteínas sanguíneas. O flúor e o chumbo podem ser acumulados nos ossos, as bifenilas policloradas (segundo a sigla em inglês, PCBs) podem ser acumuladas na gordura; o cádmio liga-se a proteínas e é acumulado no rim.
Processos de descontaminação nas emergências são essenciais para evitar contaminações
Biotransformação
Assim como usa-se o termo metabolismo para indicar a utilização orgânica de diferentes substâncias que são necessárias para a vida, se propôs o termo biotransformação para o processo de conversão das substâncias tóxicas. O termo biotransformação descreve como os organismos transformam as substâncias tóxicas absorvidas em outras de menor toxicidade e em geral solúveis em água, ou em metabólitos de maior toxicidade como é o caso do ácido fórmico na biotransformação do metanol. Neste processo o fígado cumpre uma função importante.
Em outros casos, a biotransformação pode gerar compostos secundários mais tóxicos como os originais, como por exemplo fenóis gerados na biodegradação do petróleo.
Eliminação
As substâncias solúveis em água são eliminadas pela urina. As substâncias que são voláteis, como o etanol e a acetona, e os gases como o monóxido de carbono eliminam-se parcialmente pelo ar expirado. Algumas também são eliminadas pelo leite (compostos lipossolúveis) e suor.
Em muitas emergências é difícil identificar a substância envolvida, e os cuidados devem ser redobrados
Absorção
A absorção implica que a substância química atravesse as membranas biológicas. No caso da ingestão de uma substância, esta pode ser absorvida em qualquer parte do trato gastrintestinal. A maior absorção ocorre no intestino delgado passando ao sistema circulatório sendo, portanto, transportada diretamente ao fígado.
No homem e outros animais terrestres, a inalação é a via mais rápida pela qual uma substância química ingressa no organismo. Por exemplo, a inalação do éter etílico, um gás anestésico, que quando chega ao pulmão é absorvido, passa para o sangue e logo o efeito é observado. Também substâncias como o material particulado ou gases podem ingressar pela via respiratória.
A via cutânea é outra forma de ingresso importante. A espessura da pele nas distintas regiões do organismo influi na absorção.
Assim, na região do abdômen e do escroto, onde a pele é mais fina, a absorção é mais rápida que em outras onde a pele é mais grossa, como a planta dos pés ou a palma da mão. O paration, por exemplo, é facilmente absorvido pela via cutânea.
Diferentes espécies de caranguejos mortos em manguezal por intoxicação com gasolina gerada por acidente rodoviário. Rodovia dos Imigrantes
Quando uma área grande de pele estiver em contato com uma substância química, a quantidade absorvida será maior que aquela numa superfície pequena. O tempo de contato também é importante, sendo maior a absorção quanto maior for o tempo de contato.
Biodisponibilidade
Alguns fatores físicos ou químicos podem afetar a absorção de uma substância em relação à quantidade que deverá ser absorvida e ao tempo de absorção. Por exemplo, nem todas as formas químicas de um metal são bem absorvidas no intestino; assim no caso de ingestão de mercúrio metálico, pouco será absorvido. Porém, o mesmo não acontece com um composto orgânico como o metilmercúrio, o qual é intensamente absorvido.
Os compostos de bário são tóxicos, mas o sulfato de bário é utilizado normalmente como meio de contraste nas radiografias do cólon uma vez que é um composto insolúvel em água e em gordura. Não poderia ser utilizado cloreto de bário porque a sua solubilidade em água seria suficiente para que fosse absorvida uma quantidade que produz efeitos tóxicos. Estes são alguns exemplos sobre a importância da forma química do composto em relação à absorção e toxicidade.
Distribuição
Depois que a substância química é absorvida ela passa através do sangue por todo o organismo, causando os efeitos nocivos especialmente no(s) órgão(s) alvo.
Entende-se por órgão alvo o local onde primeiro se evidencia um efeito nocivo. Para produzir esse efeito a substância química deve atingir uma determinada concentração no órgão, o que está diretamente relacionado com o conceito de dose.
Ave aquática morta em vazamento de BTEX (benzeno, tolueno, Etil Benzeno e xilenos) em braço do Rio Pequeno, sistema Billings – SP
A existência de um órgão alvo não significa que nos outros órgãos não sejam verificados efeitos. À medida em que aumenta a dose e o tempo de exposição, outros órgãos podem também ser afetados.
Acumulação
Uma parte da substância química, que é distribuída no organismo, pode ser acumulada. Isto pode acontecer também no sangue já que algumas substâncias podem se unir às proteínas sanguíneas. O flúor e o chumbo podem ser acumulados nos ossos, as bifenilas policloradas (segundo a sigla em inglês, PCBs) podem ser acumuladas na gordura; o cádmio liga-se a proteínas e é acumulado no rim.
Processos de descontaminação nas emergências são essenciais para evitar contaminações.
Biotransformação
Assim como usa-se o termo metabolismo para indicar a utilização orgânica de diferentes substâncias que são necessárias para a vida, se propôs o termo biotransformação para o processo de conversão das substâncias tóxicas. O termo biotransformação descreve como os organismos transformam as substâncias tóxicas absorvidas em outras de menor toxicidade e em geral solúveis em água, ou em metabólitos de maior toxicidade como é o caso do ácido fórmico na biotransformação do metanol. Neste processo o fígado cumpre uma função importante.
Eliminação
As substâncias solúveis em água são eliminadas pela urina. As substâncias que são voláteis, como o etanol e a acetona, e os gases como o monóxido de carbono eliminam-se parcialmente pelo ar expirado. Algumas também são eliminadas pelo leite (compostos lipossolúveis) e suor.
Em muitas emergências químicas é difícil identificar a substância envolvida, e os cuidados devem ser redobrados
Efeitos nocivos
Os efeitos tóxicos observados podem ser variados: dano aos tecidos e outras modificações patológicas, lesões bioquímicas, efeitos teratogênicos, efeitos na reprodução, mutagenicidade, efeitos irritantes e reações alérgicas. Os três primeiros pontos de contato entre substâncias químicas presentes no ambiente e o organismo são o trato gastrintestinal, o sistema respiratório e a pele. As substâncias químicas absorvidas, passam para o sangue e seguem para o fígado, rins, sistema nervoso e o sistema reprodutor, entre outros.
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Principais efeitos tóxicos
Não é possível descrever todos os efeitos que podem ser produzidos pela grande variedade de substâncias tóxicas existentes; portanto, em seguida será apresentada uma breve explicação sobre os principais efeitos já constatados.
Sistema respiratório
O efeito observado na exposição à substâncias químicas por via respiratória é a irritação causada por gases como amoníaco como amonia anidra, cloro, formaldeído, dióxido de enxofre e por pós que podem ter metais como o cromo. A resposta típica à exposição a altas concentrações destas substâncias é a constrição dos brônquios e isto está acompanhado pela dispnéia ou uma sensação de não poder respirar. Com esta situação de constrição das vias aéreas, o oxigênio não pode chegar tão rápido como é necessário para satisfazer a demanda do organismo.
Uma segunda categoria dos efeitos no sistema respiratório é o dano causado nas células do trato respiratório. Esse dano pode produzir a liberação de líquido para os espaços internos e pode resultar em acúmulo denominado edema. Este edema pode acontecer como um efeito retardado, que aparece depois da exposição crônica ou subcrônica.
O dióxido de nitrogênio (NO2) é um bom exemplo deste efeito. Uma exposição de longa duração pode causar enfisema, com perda da capacidade do intercâmbio gasoso respiratório.
A terceira categoria de efeito e de interesse na exposição causada por acidentes que envolvem substâncias químicas, é a alergia. As reações alérgicas são um grupo especial de efeitos adversos. A exposição a uma substância química antigênica resulta na interação desta com algumas proteínas para formar complexos denominados antígenosque provocam a formação de anticorpos.
Monitoramento ambiental ajuda a prevenir exposições de risco
As exposições posteriores à substância química provocarão uma reação entre os antígenos e os anticorpos presentes, o que conduz a uma série de efeitos bioquímicos e fisiológicos, até produzir a morte.
Trato gastrintestinal e pele
As outras duas áreas do organismo que entram em contato primeiro com as substâncias químicas presentes no ambiente são o trato gastrintestinal e a pele. O trato gastrintestinal é a entrada principal de substâncias ambientais presentes nos alimentos, na água, no solo e em aerodispersóides.
As substâncias muito cáusticas, como o hidróxido de sódio, quando ingeridas podem causar um efeito grave no trato gastrintestinal já que alteram a constituição química das células das membranas.
A irritação da pele pode ser produzida por uma série de substâncias químicas e é caracterizada pelo avermelhamento, inchaço e coceira que geralmente diminuem depois que termina a exposição.
As reações alérgicas podem ser produzidas pelo mesmo mecanismo que foi mencionado anteriormente.
Sistema circulatório
As substâncias químicas são absorvidas e passam para o sangue que as transportam aos distintos órgãos. Quando a concentração das substâncias químicas ou dos produtos de biotransformação atinge níveis altos, pode acontecer uma intoxicação sistêmica. Algumas substâncias químicas são diretamente tóxicas para os diferentes elementos do sangue e outras produzem mudanças em alguns elementos do sangue que provocam alterações em outros sistemas do organismo. Um exemplo pode ser o monóxido de carbono (CO) que quando é inalado une-se à hemoglobina produzindo carboxihemoglobina que dificulta o transporte de oxigênio pelo sangue para os tecidos.
Fígado
As substâncias químicas que ingressam pela via digestiva são absorvidas e chegam ao fígado. As células hepáticas têm uma capacidade muito grande para biotransformar agentes xenobióticos (compostos químicos estranhos a um organismo), sendo convertidos geralmente em substâncias mais hidrossolúveis que são eliminadas pela via renal.
Rim
Várias substâncias químicas podem produzir efeitos nocivos nos rins devido a mecanismos de ação diferentes. Os metais pesados como o mercúrio, cádmio, crômio e chumbo têm efeitos sobre o túbulo renal. Concentrações altas de metais presentes no filtrado glomerular podem danificar as funções dos túbulos e produzir a perda de grandes quantidades de moléculas essenciais para o organismo como a glicose e aminoácidos. Se a concentração de metais for suficientemente alta poderá acontecer a morte das células e alterar a função renal como um todo. O tetracloreto de carbono e o clorofórmio são hepatotóxicos e nefrotóxicos.
Sistema nervoso
O sistema nervoso está relacionado a praticamente todas as funções mentais e físicas do organismo. Os neurotoxicologistas geralmente dividem os efeitos tóxicos segundo o local primário de ação da substância química.
Algumas substâncias químicas, como o monóxido de carbono, podem produzir falta de oxigênio ou de glicose no cérebro com graves efeitos para o organismo. Outras substâncias como o chumbo e o hexaclorobenzeno são capazes de produzir perda de mielina, e alguns compostos orgânicos do mercúrio podem produzir efeitos nos neurônios periféricos.
Sistema reprodutor
O sistema reprodutor dos homens e das mulheres pode ser alterado por determinadas substâncias químicas. Nos homens, algumas substâncias como DBCP (1,2-Dibromo-3-Cloro propano) e cádmio, podem reduzir ou impedir a produção de esperma. Podem acontecer alterações no processo reprodutor, como a indução de modificações fisiológicas e bioquímicas que reduzem a fertilidade, e impedem totalmente o desenvolvimento do feto ou do nascimento normal.
Um aspecto muito estudado sobre a toxicidade reprodutora é a chamada toxicidade do desenvolvimento. Esta área compreende o estudo dos efeitos das substâncias químicas no desenvolvimento do embrião e do feto durante a exposição no útero e no desenvolvimento posterior da criança depois do nascimento. Nesta época a exposição pode cessar ou continuar porque a substância química recebida pela mãe é transferida ao leite e também pode continuar toda a vida porque existem fontes adicionais diferentes daquelas as quais a mãe esteve exposta.
Teratogenicidade
Depois da fertilização do óvulo, começa a proliferação das células que dão origem ao feto. Nos seres humanos, entorno do nono dia começa o processo de diferenciação celular e os distintos tipos de células específicas que constituem o organismo começam a se formar e migram para a sua posição adequada. Isto acontece até o desenvolvimento completo do feto. Algumas substâncias químicas podem causar efeitos na descendência, estes não são hereditários, assim são denominadas substâncias teratogênicas.
Um medicamento, a talidomida, pode ser mencionado como exemplo de substância teratogênica. Este medicamento quando foi ingerido pelas mulheres durante a gravidez, produziu efeitos teratogênicos na descendência.
Carcinogenicidade
Conclusões
Segundo Timbrell, atualmente os toxicologistas conhecem só parcialmente os mecanismos dos efeitos tóxicos das substâncias químicas. Como conseqüência a avaliação do risco para o organismo humano é difícil e incerta. Estas limitações precisam ser lembradas pelo público, industriais e por aqueles que estão envolvidos nos processos de legislação, além dos toxicologistas.
Possivelmente, o público espera muito mais dos cientistas em geral e dos toxicologistas particularmente. Os toxicologistas não podem fornecer todas as respostas às perguntas que o público freqüentemente faz, mais ainda quando exige a segurança absoluta em relação aos compostos químicos.
Os indivíduos estão expostos à substâncias químicas que causam câncer, em outras palavras, um tumor maligno. Estas podem estar presentes no ar, água, alimentos, produtos de consumo e mesmo no solo.
Os especialistas em câncer, com poucas exceções, não determinam a causa específica do câncer nos indivíduos. Em geral os fatores que contribuem para a ocorrência do câncer em grandes grupos de população podem ser descobertos.