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VIGILÂNCIA AMBIENTAL DE POLIVÍRUS

A vigilância ambiental do poliovírus tem um papel fundamental e cada vez mais importante para alcançar e manter um mundo livre da poliomielite, uma doença potencialmente grave que pode causar paralisia e levar a morte. Essa ferramenta fornece informações valiosas sobre a presença ou ausência de circulação do poliovírus na população, por meio da análise de amostras de esgoto.

A Cetesb realiza o monitoramento ambiental do poliovírus desde 1979, contribuindo para a vigilância da poliomielite nos diferentes cenários epidemiológicos vivenciados no Brasil, na ocorrência de surtos e na certificação da eliminação da pólio em 1994.

Desde então, a vigilância ambiental tem sido importante não somente para evidenciar a eliminação dos poliovírus selvagens após certificação, mas também dos poliovírus Sabin após a retirada das vacinas orais trivalente em abril de 2016 e bivalente em novembro de 2024. Também atua como um importante sistema de alerta precoce à reintrodução do vírus no país e ao possível surgimento de novos casos.

O dashboard a seguir apresenta os resultados das análises de detecção de poliovírus em esgotos do monitoramento ambiental realizado pela Cetesb no estado de São Paulo, no período de 2013 até a atualidade.

Veja ampliado!
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O QUE É A POLIOMIELITE

A poliomielite, também conhecida como pólio ou paralisia infantil, é uma doença viral altamente contagiosa, causada pelos poliovírus. Crianças menores de 5 anos têm maior risco de infecção, embora qualquer pessoa não imunizada possa ser infectada. O poliovírus é transmitido de pessoa a pessoa, pela via oral-oral por meio de gotículas e aerossóis da garganta, ou mais comumente de forma fecal-oral, pela contaminação fecal das mãos, objetos, alimentos e água.

Os fatores que contribuem para a transmissão incluem:

  • baixa cobertura vacinal
  • alta densidade populacional
  • infraestrutura precária de serviços de saúde
  • saneamento precário
  • alta incidência de doenças diarreicas

As características clínicas são classificadas de acordo com a gravidade dos sintomas:

Diagnóstico

Suspeita-se de poliomielite na presença da síndrome de paralisia flácida aguda (PFA) a qual se apresenta com sintomas bastante característicos, como o aparecimento repentino de dificuldades motoras ou flacidez muscular, principalmente das pernas, com diminuição ou ausência de reflexos na área paralisada, acompanhada de febre.  Além disso, os casos de PFA devem ter histórico de viagem a países com circulação de poliovírus nos últimos 30 dias que antecedem o início do déficit motor, ou contato no mesmo período com pessoas que viajaram para esses países.

A confirmação, porém, depende do isolamento e identificação do vírus a partir de uma amostra de fezes do paciente ou de seus contatos. O isolamento do vírus também pode ser feito a partir de amostras de sangue, de líquor ou de raspagem da garganta, embora a possibilidade de isolamento seja menor, devido à circulação do vírus ser transitória. Outros exames podem ser necessários para descartar hipóteses diagnósticas que apresentam sintomas semelhantes, como as meningites causadas por vírus e a síndrome de Guillain-Barré, entre outras.

Prevenção e tratamento

Não há tratamento específico para a poliomielite, sendo prevenida somente pela vacinação. Utiliza-se tratamento de suporte para limitar e aliviar os sintomas. Alguns tratamentos como fisioterapia podem melhorar a mobilidade, mas não revertem a paralisia permanente da poliomielite. A vacinação é a medida primordial na prevenção contra a poliomielite.

Há dois tipos de vacinas disponíveis:

  1. vacina oral de vírus vivo atenuado da poliomielite (VOP/Sabin)
  2. vacina de vírus inativado da poliomielite (VIP/Salk)

A partir de 4 de novembro de 2024, no entanto, a VOP deixou de ser utilizada no Brasil, de modo que o esquema vacinal somente com a VIP será:

  • 2 meses – 1ª dose
  • 4 meses – 2ª dose
  • 6 meses – 3ª dose
  • 15 meses – dose de reforço

Tipos de Poliovírus

Os poliovírus são vírus de RNA, da família Picornaviridae, gênero Enterovirus, e possuem 3 sorotipos, definidos como tipo 1, 2 e 3, cada um com uma proteína de capsídeo ligeiramente diferente.

Os casos de poliovírus selvagem (natural) diminuíram em mais de 99% desde 1988, após o lançamento da Iniciativa Global de Erradicação da Poliomielite e a adoção de companhas de vacinação em massa. Atualmente, Paquistão e Afeganistão são os únicos países endêmicos para o poliovírus selvagem tipo 1. O poliovírus selvagem tipo 2 foi declarado erradicado em setembro de 2015, com o último vírus detectado na Índia em 1999. O poliovírus selvagem tipo 3 foi declarado erradicado em outubro de 2019, sendo que foi detectado pela última vez em novembro de 2012 na Nigéria.

No entanto, além do vírus selvagem, há casos da doença em diversos países em que o agente etiológico é o poliovírus derivado da vacina (PVDV). Os PVDV são cepas relacionadas ao poliovírus vivo atenuado contido na vacina oral Sabin contra poliomielite (VOP). O surgimento dessas cepas são eventos bastante raros e está associado à capacidade de circulação em populações com baixa cobertura vacinal ou replicação em um indivíduo imunodeficiente por longos períodos. O vírus atenuado, após sofrer diversas mutações, pode reverter para uma forma que causa doença e paralisia.

Os poliovírus da vacina oral Sabin podem ser classificados como:

Poliovírus Sabin: o poliovírus vivo atenuado da vacina oral contra a poliomielite (VOP).

Em 2020, foi autorizado o uso de uma nova versão da vacina oral com vírus atenuado do tipo 2 (nVOP2), para uso em surtos de cPVDV2. A nVPO2 fornece uma proteção comparável a vacina Sabin contra o poliovírus do tipo 2 (VOP2), no entanto é mais estável geneticamente, reduzindo o risco de surgimento de poliovírus derivado da vacina.

Poliovírus Sabin-like: são aqueles que podem ter divergências da cepa Sabin padrão da VOP, mas em um grau menor daqueles que podem causar paralisia como os poliovírus derivados vacinais.

Os poliovírus Sabin e Sabin-like são comumente detectados na população e no ambiente quando a OPV é usada em imunização de rotina ou atividades de imunização suplementar com OPV. O poliovírus Sabin tipo 2 não deve mais ser detectado, exceto onde a nOPV2 monovalente for recentemente usada para resposta ao poliovírus derivado tipo 2.

Poliovírus derivados vacinais (PVDV): cepas de poliovírus de vacina que têm > 1% de divergência (≥ 10 nucleotídeos de diferença) para os tipos 1 e 3, e > 0,6% de divergência (≥ 6 nucleotídeos de diferença) para o tipo 2, em relação a cepa Sabin de referência, comparando-se a região do gene VP1.

Os PVDVs podem ser classificados da seguinte forma:

Poliovírus derivado vacinal circulante (cPVDV): é um PVDV em circulação na população, com base em evidências de transmissão de pessoa a pessoa devido à detecção de casos e/ou amostras ambientais de vírus geneticamente associados.

Poliovírus derivado vacinal associado à imunodeficiência (iPVDV): é um VDPV associado a indivíduos que têm imunodeficiência primária (IDP). Esses indivíduos por terem uma deficiência no sistema imunológico não conseguem combater uma infecção e podem manter a replicação do vírus nos intestinos por um longo período, após receber a VOP, originando poliovírus geneticamente divergentes.

Poliovírus derivado vacinal ambíguo (aPVDV): são isolados a partir de pessoas sem imunodeficiência conhecida ou a partir de amostras ambientais, sem evidência de circulação e para os quais a sequência VP1 não está geneticamente ligada a outras sequências VDPV previamente identificadas.

Sobrevivência do poliovírus no ambiente

Os poliovírus são resistentes à inativação por desinfetantes comuns, como etanol 70%, isopropanol, lysoform e compostos de amônio quaternário. No entanto, são rapidamente inativados por soluções com formaldeído, glutaraldeído, ácido forte, hipoclorito de sódio e cloro residual livre e também pela exposição a temperaturas maiores de 50 °C, luz ultravioleta e dessecação. A inativação é retardada pela presença de matéria orgânica.

Em condições laboratoriais estáveis, os poliovírus podem sobreviver por muitos anos em temperatura de congelamento, por muitos meses sob refrigeração e por dias a semanas em temperatura ambiente. As taxas de inativação do poliovírus na natureza são bastante influenciadas pelas condições ambientais. Estimou-se que a infectividade do poliovírus no solo diminui em 90% a cada 20 dias no inverno e a cada 1,5 dia no verão, e que em temperaturas ambientes ocorre uma diminuição de 90% na infectividade no esgoto a cada 26 dias, na água doce a cada 5,5 dias e na água do mar a cada 2,5 dias.

A desinfecção com cloro é uma etapa crítica para a inativação de vírus em processos de tratamento de água e de esgoto. As condições ideais para a inativação do vírus são alto resíduo de cloro, longo tempo de contato, alta temperatura da água, baixo pH, baixa turbidez e ausência de substâncias interferentes.

Para maiores informações sobre a doença, história, vigilância das paralisias flácidas e vacinação contra a poliomielite, podem ser acessadas as aulas de capacitação voltadas a profissionais de saúde, produzidas pela COVISA/SMS-SP: https://capital.sp.gov.br/web/saude/w/vigilancia_em_saude/342933

Referências

Betancourt, W.Q., and Shulman, L.M. (2017). Polioviruses and other Enteroviruses. In: J.B. Rose and B. Jiménez-Cisneros, (eds) Water and Sanitation for the 21st Century: Health and Microbiological Aspects of Excreta and Wastewater Management (Global Water Pathogen Project). (J.S Meschke, and R. Girones (eds), Part 3: Specific Excreted Pathogens: Environmental and Epidemiology Aspects – Section 1: Viruses), Michigan State University, E. Lansing, MI, UNESCO. https://doi.org/10.14321/waterpathogens

Cara C. Burns, et al. Vaccine-Derived Polioviruses, The Journal of Infectious Diseases, Volume 210, Issue suppl_1, November 2014, Pages S283–S293, https://doi.org/10.1093/infdis/jiu295

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POLIVÍRUS

A vigilância ambiental vem contribuindo de forma significativa para os programas da Iniciativa Global de Erradicação da Pólio (GPEI), aumentando significativamente a sensibilidade da vigilância da poliomielite em diversas regiões do mundo.

A vigilância ambiental detecta a circulação de poliovírus em nível comunitário. Embora não seja possível vincular o poliovírus detectado nos esgotos diretamente aos indivíduos infectados, ela é uma ferramenta complementar à vigilância das paralisias flácidas agudas (PFA) e pode fornecer um indicador de alerta precoce sobre infecções silenciosas de pólio durante um surto.

Há vários casos em que a vigilância ambiental detectou a transmissão da poliomielite em áreas onde não foram encontrados casos (Asghar et al. 2013; Klapsa et al., 2022).

Papel da vigilância ambiental

  • Detectar importações de Poliovírus 1 Selvagem e Poliovírus Derivados Vacinais
  • Detectar surgimento de Poliovírus Derivados Vacinais circulantes
  • Acompanhar a transmissão contínua de Poliovírus 1 Selvagem e Poliovírus Derivados Vacinais circulantes
  • Orientar estratégias de vacinação
  • Fornecer evidências para a certificação da eliminação do poliovírus (Sabin, selvagem e derivados)
  • Documentar o poliovírus liberado pelas instalações de fabricação ou laboratórios
  • Monitorar o desaparecimento das cepas de Sabin após retirada da vacina oral com vírus atenuado

Os humanos são o único reservatório do poliovírus, característica fundamental que qualifica a poliomielite para erradicação, assim como ocorreu com a varíola, após a imunização de grande parcela da população. A transmissão do poliovírus ocorre de pessoa a pessoa por via fecal-oral ou oral-oral.

Um indivíduo infectado, independentemente da presença de sintomas, apresentará replicação do poliovírus na nasofaringe por alguns dias e no intestino por várias semanas.

Os vírus eliminados pelas fezes no ambiente podem então ser detectados por meio da análise de esgoto e de águas residuais. A quantidade de vírus excretada nas fezes depende do indivíduo e do tempo de infecção, variando entre zero até 100 milhões de poliovírus por grama de fezes.

Por meio da vigilância ambiental, é possível obter informações valiosas sobre a circulação do poliovírus em populações-alvo, com maior potencial se tiverem as seguintes características:

Características das populações-alvo

  • Baixa sensibilidade ou ausência de vigilância de PFA (paralisia flácida aguda)
  • Baixa cobertura vacinal (no presente ou no passado)
  • Alta cobertura vacinal com uso de VIP (vacina inativada), já que a proporção de PFA nas infecções será muito baixa
  • Evidência de circulação recente de poliovírus selvagem ou derivado vacinal
  • Localizadas em áreas sujeitas à reintrodução por importação

Os números de casos e surtos de poliomielite no mundo podem ser acompanhados nos sites: https://polioeradication.org/ https://gis.ecdc.europa.eu/portal/apps/dashboards/fc1d8b9f4a8740808935600db9a96057

Dados de vigilância clínica, cobertura vacinal e análise de risco nos países das Américas podem ser visualizados no dashboard da OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde):
https://www.paho.org/en/polio-surveillance-dashboard

Informações detalhadas sobre a Vigilância Ambiental de Poliovírus podem ser consultadas nos manuais orientativos publicados pela OMS (Organização Mundial da Saúde):

Referências

Asghar H. et al. Environmental surveillance for polioviruses in the Global Polio Eradication Initiative. J Infect Dis. 2014 Nov 1;210 Suppl 1(Suppl 1):S294-303. doi: 10.1093/infdis/jiu384.

Klapsa D. et al. Sustained detection of type 2 poliovirus in London sewage between February and July, 2022, by enhanced environmental surveillance. Lancet. 2022 Oct29;400(10362):1531-1538. doi: 10.1016/S0140-6736(22)01804-9.

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HISTÓRICO

A Cetesb iniciou o monitoramento ambiental de poliovírus em 1979, com sua participação no Programa de Colaboração junto a OPAS de Erradicação da Poliomielite no Brasil. Em 1989, foi registrado o último caso de poliomielite no Brasil, e em 1994, o país recebeu a certificação de área livre da circulação da poliomielite, juntamente com a região das Américas

Por esse motivo, o monitoramento ambiental foi interrompido, sendo retomado em 1999, em decorrência ao surto de poliomielite em Angola e registros de casos importados em diversos países.

Esse monitoramento vem sendo feito sistematicamente no ambiente por meio do exame de amostras da composição fecal humana em esgotos, em pontos selecionados e estratégicos. A opção, em 1999, levava em consideração, por um lado, determinadas características do Estado de São Paulo, tais como a porta de entrada historicamente principal de turistas estrangeiros e o principal destino de populações migrantes ou de refugiados, em busca de emprego ou de acolhimento.

Por outro lado, considerava-se a existência de vários países da África, da Ásia e do Oriente Médio que, em 1999, ainda não haviam alcançado a erradicação da doença, os quais se mantinham endêmicos ou epidêmicos, e de onde eram procedentes os vários migrantes para São Paulo.

Em 2014, ano da Copa do Mundo no Brasil, quando foi detectada a presença de poliovírus selvagem no Aeroporto de Viracopos, Campinas (https://time.com/2917295/polio-brazil-campinas-who/), e do poliovírus derivado vacinal no Porto de São Sebastião (Cassemiro et al., 2016). Este programa também foi muito importante para acompanhar o processo de substituição da vacina oral da poliomielite, a SABIN trivalente, sorotipos 1, 2 e 3, pela SABIN bivalente, sorotipos 1 e 3 em maio de 2016 (https://polioeradication.org/news/global-synchronisation-and-the-switch/)

A partir de 2017, o monitoramento passou a incluir pontos de amostragem representativos de populações em maior risco para a reintrodução do poliovírus, em decorrência principalmente da baixa cobertura vacinal contra a poliomielite. Foram monitoradas populações em bairros da cidade de São Paulo e algumas cidades como São Carlos, São José dos Campos, Franca, Osasco e Diadema, consideradas em risco elevado ao ressurgimento da poliomielite.

Com o início da pandemia da COVID-19, o monitoramento foi interrompido em abril de 2020 devido às dificuldades de manutenção das atividades de amostragem e laboratoriais. A vigilância foi retomada em janeiro de 2022, abrangendo somente pontos de entrada, como os aeroportos internacionais de Guarulhos e Viracopos, regiões portuárias de São Sebastião e Santos e o terminal rodoviário Tietê.

Devido à situação de reduzida cobertura vacinal no Brasil, agravada principalmente pela pandemia, e consequente aumento do risco de reintrodução e ressurgimento da poliomielite no país, em 2022 a Cetesb ampliou a vigilância com a inclusão de pontos de coleta em algumas cidades como Ribeirão Preto, Santo André, São Bernardo do Campo, Campinas e Guarulhos e em diversas áreas da região metropolitana de São Paulo.

Nesse mesmo período, o Brasil passou a receber muitos refugiados do Afeganistão, país com circulação endêmica do poliovírus selvagem tipo 1, e por isso intensificou a frequência de monitoramento nesse ponto, passando de quinzenal para semanal. Também foram monitorados alguns locais de acolhimento aos refugiados, como hotéis e abrigos temporários.

Fonte: CGVDI/DPNI/SVSA/MS – Atualizado em 26/02/2024

Coeficiente de incidência de poliomielite e cobertura vacinal com VOP, em campanhas no Brasil, no período de 1968 a 2024.

Referências

Cassemiro KM, et al. Molecular and Phenotypic Characterization of a Highly Evolved Type 2 Vaccine-Derived Poliovirus Isolated from Seawater in Brazil, 2014. PLoS One. 2016 Mar 28;11(3):e0152251. doi: 10.1371/journal.pone.0152251

Ministério da Saúde. Coeficiente de incidência de Poliomielite e Cobertura Vacinal com a VOP, em Campanhas, Brasil, 1968-2024. 02 setembro 2024. Disponível em https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/p/poliomielite/situacao-epidemiologica/incidencia-de-poliomielite-e-cobertura-vacinal-em-campanhas.pdf. Acesso em 20 novembro 2024.

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AMOSTRAGEM

Seleção dos pontos de coleta

A CETESB faz a seleção dos pontos de coleta em conjunto com a Divisão de Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar – DDTHA, do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE/CCD/SES-SP) e Companhias de Saneamento do estado de São Paulo (Sabesp, Sanasa, SAAE, GS Inima Ambient).

  • CVE/CCD/SES-SP: apoio na definição das populações-alvo, especialmente na seleção das regiões com risco elevado de reintrodução, devido à baixa cobertura vacinal ou pela concentração de migrantes e refugiados provenientes de áreas endêmicas.
  • Companhias de Saneamento: possuem informações sobre a rede de coleta de esgoto ligada às populações-alvo, e conseguem selecionar potenciais pontos de coleta para uma amostragem representativa. Algumas companhias de saneamento são responsáveis pela coleta de amostras nas Estações de Tratamento de Esgoto.

Nos aeroportos internacionais, para definição dos pontos de coleta, a CETESB conta com o apoio da ANVISA e das empresas responsáveis pelo tratamento dos esgotos provenientes das aeronaves e sanitários destinados aos passageiros. No caso da rodoviária, a seleção do ponto de coleta deve incluir os sanitários dos viajantes, e é realizada em conjunto com a empresa gestora do terminal. No caso do Terminal Rodoviário Tietê, trata-se da empresa SOCICAM.

Amostragem em poço de visita da SABESP com fluxo de esgoto

Atividade de amostragem

A atividade de amostragem do programa de Vigilância Ambiental é realizada pelo Laboratório da Divisão de Amostragem do Departamento de Análises Ambientais e Laboratórios de Campinas, Cubatão, Taubaté e Ribeirão Preto do Departamento de Laboratórios Descentralizados.

Critérios para seleção dos pontos de coleta

Uma vez selecionadas as populações-alvo (em risco de reintrodução, emergência ou transmissão), alguns aspectos importantes devem ser considerados para a definição dos pontos de coleta:

  • A população-alvo deve ter aproximadamente entre 100.000 e 300.000 indivíduos (uma população muito grande pode diluir os poliovírus dos excretores abaixo do limite de detecção; uma população muito pequena pode não ser detectada ou atrasar a detecção da circulação).
  • Dar preferência a redes de esgoto fechadas e convergentes como pontos à montante de estações de tratamento de esgoto, estações elevatórias de esgoto, emissários submarinos e poços de visita.
  • Selecionar canais abertos de esgoto ou rios somente quando não há rede de coleta de esgoto, mas é importante o mapeamento completo da drenagem das áreas residuais.
  • Avaliar se o fluxo de esgoto é constante.
  • Evitar pontos de coleta que recebam contribuição de compostos tóxicos capazes de reduzir a sobrevivência dos poliovírus.
  • Selecionar pontos considerando a acessibilidade do local de coleta. No caso de poços de visita, evitar vias públicas muito movimentadas.

Avaliar a logística de transporte das amostras, considerando o prazo de validade das amostras.

Amostragem na Estação de Precondicionamento de Esgoto da SABESP
Amostragem na Estação Elevatória de Esgoto da SABESP São Sebastião SP
Amostragem na Estação Elevatória de Esgoto no Aeroporto Internacional de São Paulo Guarulhos SP

Princípios da amostragem e recomendações

  • O cronograma de coleta deve ser específico para cada local, considerando os custos e recursos disponíveis, assim como a capacidade laboratorial.
  • Devem-se comunicar antecipadamente os interessados e envolvidos na etapa de amostragem e análise das amostras.
  • O horário considerado ideal para coleta são as primeiras horas da manhã, quando ocorre o pico de uso do banheiro, ou seja, das 6:30h às 8:30h. No entanto, deve-se considerar a distância do ponto de amostragem até a população-alvo para estimar o horário do pico do fluxo.
  • A frequência de amostragem mínima recomendada é mensal para locais de rotina ou permanentes. A decisão de aumentar a frequência deve considerar o aumento potencial da sensibilidade de detecção e capacidade laboratorial.
  • A amostragem pode ser simples ou composta. Idealmente, recomenda-se que seja composta por 24 horas de hora em hora, mas pode ser inviável para alguns pontos de coleta.
  • Quando a população amostrada é muito pequena, pode-se considerar compor 2 amostras simples de dois locais diferentes próximos.
  • Recomenda-se que cada novo ponto de coleta passe por um período de validação para análise de desempenho de 6 a 12 meses antes da inclusão na rede permanente. O indicador de desempenho principal consiste na taxa de isolamento de enterovírus, que deve ser de no mínimo 50%.
  • Recomenda-se coletar o volume mínimo de 1 litro de amostra que deve ser transportada em caixa térmica com gelo e mantida refrigerada (faixa de 2 a 8 °C) até o processamento, idealmente em até 48 horas. Caso não seja possível cumprir o prazo, recomenda-se armazenar a amostra a -20 °C e encaminhá-las congeladas.

Pontos de coleta de esgoto vigentes no estado de São Paulo para realização de monitoramento ambiental do poliovírus

Referências

Field guidance for the implementation of environmental surveillance for poliovirus. WHO, 2023.

Guia nacional de coleta e preservação de amostras: água, sedimento, comunidades aquáticas e efluentes líquidos / Companhia Ambiental do Estado de São Paulo; Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico ; Organizadores: Renan Lourenço de O. Silva … [et al.] . – 2. ed. – São Paulo : CETESB ; Brasília: ANA, 2023. 456 p. : il.

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ANÁLISES LABORATORIAIS

Os Laboratórios de Virologia e Biologia Molecular pertencentes à Divisão de Microbiologia e Parasitologia do Departamento de Análises Ambientais da CETESB são responsáveis pelas análises laboratoriais do programa de vigilância ambiental do poliovírus. Os ensaios de concentração, isolamento viral e diferenciação intratípica de poliovírus, assim com a amostragem, são acreditados pela Norma ABNT NBR ISO 17025:2017 desde 2015.

Laboratórios de Virologia e Biologia Molecular da Divisão de Microbiologia e Parasitologia

Os vírus presentes nas amostras de esgoto são concentrados por precipitação em PEG-NaCl (Shulman et al., 2006) que consiste na técnica utilizada pelo Laboratório de Referência da OMS de Israel. Para o isolamento de poliovírus em cultivo celular, são utilizadas as linhagens RD e L20B conforme procedimentos recomendados pela OMS (WHO, 2004; 2007).

A etapa de diferenciação intratípica dos poliovírus (Sabins, selvagem tipo 1 ou derivados vacinais) é realizada por PCR em Tempo Real de acordo com os ensaios descritos por Kilpatrick et al. (2014), Gerloff et al. (2018) e Sun et al. (2024). Os isolados positivos para poliovírus são encaminhados ao Laboratório de Referência Regional da OMS da Fiocruz, para identificação e confirmação dos resultados por sequenciamento Sanger (Kilpatrick et al., 2011).

Procedimentos de concentração isolamento em cultivo celular e diferenciação intratípica de poliovírus em amostras de esgoto

Referências

Gerloff N et al. Diagnostic Assay Development for Poliovirus Eradication. J Clin Microbiol. 2018 Jan 24;56(2):e01624-17. doi: 10.1128/JCM.01624-17.

Kilpatrick DR et al. Identification of vaccine-derived polioviruses using dual-stage real-time RT-PCR. J Virol Methods. 2014 Mar;197:25-8. doi: 10.1016/j.jviromet.2013.11.017.

Kilpatrick DR et al. Poliovirus serotype-specific VP1 sequencing primers. J Virol Methods. 2011 Jun;174(1-2):128-30. 10.1016/j.jviromet.2011.03.020

S1. Supplement to the WHO Polio Laboratory Manual. An alternative test algorithm for poliovirus isolation and characterization. World Health Organization, 2007.

Shulman LM et al. Neurovirulent vaccine-derived polioviruses in sewage from highly immune populations. PLoS One. 2006 Dec 20;1(1):e69. doi: 10.1371/journal.pone.0000069.

Sun H et al. Validation of a redesigned pan-poliovirus assay and real-time PCR platforms for the global poliovirus laboratory network. PLoS One. 2021 Aug 6;16(8):e0255795. doi: 10.1371/journal.pone.0308467.

Polio laboratory manual, 4th ed. World Health Organization, ‎2004

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RESPONDENDO A UM EVENTO OU SURTO DE POLIVÍRUS

Na ocorrência de um isolamento de um poliovírus (selvagem, derivado da vacina ou Sabin tipo 2) em amostra ambiental, a CETESB deverá seguir as orientações previstas no Plano Estadual de Resposta a um Evento de Detecção de Poliovírus em um Surto de Poliomielite: Estratégia São Paulo.

De imediato, a CETESB deverá notificar ao laboratório de referência da Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ) e a Divisão de Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar/CVE (DDTHA) sobre o isolamento e encaminhar a amostra ao laboratório de referência imediatamente para confirmação dos resultados laboratoriais.

O laboratório de referência deverá notificar de imediato ao Ministério da Saúde e ao Ponto Focal da OPAS a confirmação do isolamento de um poliovírus (selvagem, derivado da vacina, de qualquer sorotipo ou Sabin tipo 2) em uma amostra ambiental. Deverá comunicar a DDTHA e a CETESB sobre a confirmação dos isolados.

Diante da confirmação dos resultados, a DDTHA comunicará o município onde foi detectado o poliovírus, e as ações deverão ser iniciadas de forma imediata. As ações de investigações, após detecção de um poliovírus (selvagem, derivado da vacina, de qualquer sorotipo ou Sabin tipo 2) em amostra ambiental ou humana, estão descritas detalhadamente no Plano Estadual de Resposta e devem considerar o tipo de poliovírus isolado e as características das populações (coberturas de vacinação e campanhas dos últimos 5 anos) e áreas relacionadas ao local de coleta, para avaliação do grau de suscetibilidade da população e risco de transmissão.

No início de um novo evento ou surto, as seguintes ações devem ser implementadas:

  • Avaliar o desempenho de todos os locais de VA de poliovírus existentes na área. Locais que não tiveram isolamento de vírus (incluindo enterovírus não-poliovírus e vírus Sabin-like) por mais de seis meses devem ser cuidadosamente avaliados.
  • Aumentar para quinzenal a frequência da coleta de amostras, quando possível, por um período mínimo de seis meses após o isolado mais recente detectado ou o uso mais recente da VOP contendo tipo 2 (no caso de surtos/eventos de alto risco de poliovírus tipo 2), o que for posterior.
  • Levar em conta novos locais de coleta dentro e fora da área do surto ou evento, onde for tecnicamente apropriado e que a capacidade do laboratório permitir.
  • Avaliar áreas urbanas próximas com uma população de 100 mil ou mais como candidatos para amostragem ambiental nova ou aprimorada.

As ações de ampliação da vigilância ambiental devem considerar a capacidade laboratorial do programa e não comprometer a vigilância da PFA. Diretrizes detalhadas sobre a Vigilância Ambiental de Poliovírus podem ser encontradas no documento da OPAS/OMS “Procedimento Operacional Padrão para Aprimoramento da Vigilância Ambiental da Pólio Após um Evento ou Surto de Poliovírus”.

O documento descreve os procedimentos operacionais padrão para melhora da vigilância ambiental após investigação de qualquer evento ou surto de poliomielite para monitorar, em curto prazo, a presença ou ausência de vírus relacionados à vacina após detecção de PVDV por meio da Vigilância de Paralisias Flácidas Agudas ou por meio da Vigilância Ambiental existente.

Processo de decisão no aprimoramento ou implantação de vigilância ambiental no contexto de isolamento de PVDV

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