| 17/04/2008 | Conselho de regulamentação publicitária suspende anúncios de sustentabilidade da Petrobras | Imprima esta página | |||
| CONAR julgou
nesta quinta-feira representação assinada por entidades governamentais
do Estado e do município de São Paulo, organizações não-governamentais e entidades representativas diversas |
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O CONAR - Conselho Nacional de Auto-Regulamentação Publicitária suspendeu, nesta quinta-feira (17/04), dois anúncios da Petrobras que abordavam a sustentabilidade empresarial e responsabilidade socioambiental da empresa, por entender que estes compromissos não são comprovados. O julgamento contra a propaganda enganosa ocorreu em função da representação feita junto ao CONAR por diversas entidades governamentais e não-governamentais, como as Secretarias Estaduais do Meio Ambiente de São Paulo e de Minas Gerais, a Secretaria do Verde e Meio Ambiente do Município de São Paulo, o Fórum Paulista de Mudanças Climáticas Globais e de Biodiversidade, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC), o Greenpeace, a Amigos da Terra – Amazônia Brasileira, o Instituto Akatu, o Movimento Nossa São Paulo, a SOS Mata Atlântica, a Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS) e o Instituto Brasileiro de Advocacia Pública (IBAP). O principal motivo para as denúncias das entidades é que a Petrobras não vem cumprindo etapas obrigatórias preparatórias para o cumprimento da Resolução CONAMA 315, de 2002, que define que, a partir de 1º de janeiro do ano que vem, o diesel comercializado no Brasil contenha, no máximo, 50 partes por milhão de enxofre (ppm S). O diesel de referência para testes já deveria ter sido disponibilizado desde 2006, o que não ocorreu e configura um desrespeito à legislação ambiental – também Lei Federal 8.723/1993, além da Resolução CONAMA. A proporção hoje é de 500 ppm S nas regiões metropolitanas e de 2000 ppm S no restante do país. Esse atraso no processo visando a melhoria da qualidade dos combustíveis acarretaria graves consequências para a saúde pública, já que o óleo diesel é o principal responsável pela emissão de material particulado fino, em altas concentrações associadas à mortalidade prematura de 6,1 mil brasileiros por ano, ou 3 mil paulistanos anualmente. “Para que uma empresa possa se afirmar sustentável e atenta aos princípios da responsabilidade socioambiental é necessário que se verifique um pressuposto básico: o cumprimento integral da lei, no caso da legislação ambiental. Coloca-se como uma análise ética a dicotomia existente entre a publicidade patrocinada pela Petrobras e a desconformidade em sua atividade principal”, afirma-se na Representação feita junto ao CONAR. O secretário estadual do Meio Ambiente do Governo de São Paulo, Xico Graziano, afirmou que a decisão do Conselho constitui-se em “uma vitória ética contra a impostura ambiental e serve de exemplo para as empresas que exploram o tema apenas como marketing, para proveito próprio”. De acordo com os expositores da Representação no CONAR, durante o julgamento realizado hoje, além de não ter fornecido o combustível de referência para testes em 2006, a empresa, pela ausência de investimentos e planejamento e pelas suas reiteradas declarações, ao que tudo indica vai deixar de cumprir a legislação ambiental e não reduzirá a partir de 2009 o teor de enxofre no combustível para os 50 ppm regulamentados. Por isso, diversas iniciativas e protestos tiveram lugar, desde o ano passado, como audiências públicas na Câmara dos Deputados e na Câmara Municipal de São Paulo, além de Representações nos Ministérios Públicos Federal e Estadual. Também em setembro de 2007, dezenas de organizações assinaram uma representação no Ministério Público para que a Resolução do CONAMA não sofra alterações nem adiamentos. O julgamento do CONAR ocorreu em sessão fechada, da qual participaram
o secretário-adjunto da Secretaria Estadual do Meio Ambiente,
Pedro Ubiratan Escorel de Azevedo, o secretário municipal do Verde
e Meio Ambiente, Eduardo Jorge, o médico e professor da Faculdade
de Saúde Pública da USP Paulo Saldiva, o secretário
executivo do Fórum Paulista de Mudanças Climáticas
e Biodiversidade, Fábio Feldmann, o representante do Movimento
Nossa São Paulo Oded Grajew e o integrante do Greenpeace Marcelo
Furtado. |