20/02/2006 Estudo com sangue de funcionários estabelece valores de referência para chumbo e cádmio  
 

A CETESB - Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental concluiu um estudo-piloto que possibilitou a validação de um método analítico de detecção de chumbo e cádmio no organismo humano, visando propor valores de referência para o sangue da população que não exerce atividades em que fiquem expostas a esses dois metais. O estudo foi realizado pelo Setor de Toxicologia Humana e Saúde Ambiental - EAMT da empresa, com 337 amostras de sangue de funcionários que participaram voluntariamente doando material por ocasião do exame médico funcional periódico, em 2004 e 2005.

Para complementar as análises, o grupo testado foi submetido também a um questionário sobre hábitos alimentares e estilo de vida. Os resultados dos exames de sangue dos funcionários da CETESB estão sendo enviados a cada voluntário que participou do estudo. Com base nessa experiência, o EAMT ampliou o universo do estudo e está desenvolvendo um projeto com quase mil doadores de sangue da Fundação Hemocentro do Hospital das Clínicas de São Paulo.

Os valores de referência obtidos constituirão parâmetros de comparação na avaliação de populações suspeitas de estarem expostas aos contaminantes analisados, o que até agora vinha sendo feito com base em indicadores estabelecidos por agências internacionais. Desta forma, os resultados obtidos com o monitoramento biológico deixarão de ser comparados com valores referentes a populações com características diferentes das nossas e que sofrem influência de outras condições ambientais.

Resultados

O estudo aplicado aos usuários do hemocentro deverá estar concluído em três meses, mas os resultados obtidos com as amostras de sangue dos funcionários da CETESB estão sendo submetidos a análises estatísticas, onde são consideradas cerca de 45 variáveis. Segundo a responsável pela pesquisa, a farmacêutica bioquímica Rúbia Kuno, não foram encontrados níveis elevados de cádmio e chumbo, metais pesados escolhidos por serem constantes nas áreas contaminadas identificadas pela agência ambiental.

A técnica explica que o questionário aplicado aos voluntários teve o objetivo de definir os níveis de exposição aos diferentes metais. Fumantes, por exemplo, têm maior concentração de cádmio no organismo, pois esse metal está presente no cigarro. Outra forma possível de contaminação por cádmio pode se dar por meio dos alimentos, que podem ter sido adubados com micronutrientes contendo o produto utilizado na agricultura.

No caso do chumbo, é preciso considerar o grau de exposição do indivíduo, favorecido por outras atividades. Isso pode ocorrer com os praticantes de tiro ao alvo ou de atividades aparentemente inofensivas, como a pesca com vara. Nem os que têm os pincéis como “hobby” ficam imunes, já que muitas tintas utilizadas para pintura contém o metal analisado.

Futuramente, a proposta é de estender a pesquisa para outros elementos químicos, para os quais também ainda não existem valores referência nacionais, mas que freqüentemente são encontramos nas áreas contaminadas que vêm sendo identificadas pela CETESB.

Texto
Eli Serenza
Fotos
Pedro Calado


A responsável pela pesquisa, a farmacêutica bioquímica Rúbia Kuno