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A
visita do presidente do Banco Mundial ao Brasil motivou a realização
da sessão extraordinária do Fórum Paulista de Mudanças
Climáticas Globais e de Biodiversidade, para discutir as contribuições
dos diferentes setores que compõem o fórum presidido pelo
governador Geraldo Alckmin, que tem como objetivo desenvolver políticas
públicas e estimular iniciativas do setor privado que resultem
na redução das emissões de Carbono e na manutenção
da biodiversidade. Depois de passar pela Amazônia e pelo semi-árido
nordestino, Paul Wolfowitz, que assumiu a presidência do Banco Mundial
há pouco mais de seis meses, declarou-se impressionado com o potencial
brasileiro para contribuir com a redução das emissões
de carbono, através de alternativas energéticas limpas e
renováveis, como no caso do uso do metanol como combustível
para os transportes e das hidrelétricas, que geram a maior parte
da energia consumida no País. Por outro lado, Wolfowitz declarou-se
preocupado com o nível de desflorestamento encontrado na Amazônia,
“um tesouro, cuja preservação interessa a todo o planeta”.
O representante do Banco Mundial afirmou que a experiência brasileira
com a produção do álcool extraído da cana
de açúcar deve apresentar-se como uma alternativa energética
e econômica para outros países do mundo, principalmente os
mais pobres e com a maior parte da população vivendo em
áreas rurais. Segundo ele esse é o caso de várias
nações africanas, onde a extrema pobreza e a ausência
de alternativas faz com a maioria da população se utilize
de formas rudimentares de produção de energia, o que resulta
na rápida destruição dos recursos e na progressão
da miséria.
Ele afirmou que a missão do Banco Mundial é estimular o
desenvolvimento de tecnologias que garantam o crescimento sustentado e,
para isso dispõe de duas ferramentas, uma voltada para as políticas
públicas, como é o caso do BIRD – Banco Interamericano
de Desenvolvimento e outra para financiar os projetos privados de empreendimentos
com compromisso social, representada pelo IFC – Corporação
Financeira Internacional.
Presente à reunião, coordenada pelo secretário executivo
do fórum, Fabio Feldmann, o atual secretário do Meio Ambiente
do Estado de São Paulo, professor José Goldemberg, lembrou
que o Banco Mundial tem contribuído com vários projetos
que resultaram na recuperação da cobertura vegetal e, consequentemente,
ajudaram na redução do efeito estufa, através do
seqüestro do carbono presente na atmosfera. Ele citou o exemplo recente
do Programa de Recuperação das Matas Ciliares, no qual o
Banco Mundial participa com R$ 8 milhões de dólares e que
vem sendo implementado pela Secretaria em diversas bacias hidrográfica,
atingindo cerca de 400 municípios paulistas.
A experiência com a produção do etanol a partir do
cultivo da cana de açúcar foi outro tema abordado por Goldemberg,
como um exemplo de ação eficaz contra as mudanças
climáticas globais. Segundo o secretário do Meio Ambiente
a queima dos combustíveis fósseis é responsável
por 41% das emissões de carbono no mundo, quadro que vem se revertendo
no Brasil, nos últimos 20 anos, período em que o país
se consolidou como o maior produtor de etanol do mundo. “Atualmente
o Estado de São Paulo, com mais de 5 milhões de veículos
só na Região Metropolitana, consome 49% de diesel, 16% de
óleo combustível, 24% de gasolina e 11% de etanol, porcentagem
que deve continuar aumentando com os avanços da tecnologia que
vem tornando esse combustível cada vez mais barato”.
A utilização do álcool também foi destacada
por Geraldo Alckmin, ao lembrar que São Paulo é o maior
produtor do etanol do mundo e que o Estado acaba de criar mais um incentivo
para seu uso como combustível, ao reduzir pela metade ICMs do veículos
movidos a álcool, enquanto a alíquota cobrada sobre os veículos
a gasolina continua em 25%. Alckmin salientou que além de ser um
combustível extraído de fonte renovável, o álcool
também traz vantagens à saúde, na medida em que emite
menos monóxido de carbono e que contribuiu para a eliminação
do chumbo tetraetila na gasolina.
Entre os diversos participantes ao evento, destacaram-se as presenças
dos ex-ministros Celso Lafer, das Relações Exteriores e
José Carlos de Carvalho, ex-ministro do Meio Ambiente e atual Secretário
dessa pasta no governo de Minas Gerais, assim como Rubens Barbosa, ex-embaixador
do Brasil na Inglaterra e Estados Unidos, hoje atuando na criação
da bolsa de futuro para créditos de carbono, que deverá
ser lançada pela BMF até meados do próximo ano. O
empresário Geraldo Moura, também presente na reunião
realizada nesta terça-feira (20/12), no Palácio dos Bandeirantes,
do setor siderúrgico contribuiu com mais um importante relato ao
presidente do Banco Mundial, ao lembrar de outra importante fonte alternativa
de energia - o eucalipto, largamente utilizado na produção
do carvão vegetal que alimenta os fornos para a produção
de aço.
Segundo ele, como no caso da cana de açúcar, esse é
o caso de alternativa duplamente eficaz na redução dos gases
de efeito estufa, pois além de emitir menos CO2 que
os combustíveis fósseis, seu plantio em larga escala contribui
para o seqüestro do carbono lançado na atmosfera.
Ainda em relação à contribuição brasileira
para a redução do efeito estufa, o professor Goldemberg
apresentou dados demonstrando que, só com a produção
do etanol, nos últimos 20 anos o Brasil deixou de emitir 160 milhões
de toneladas de carbono para a atmosfera.
Texto
Eli Serenza
Fotos
Pedro Calado
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