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Os secretários do Meio Ambiente de São
Paulo e da Califórnia, nos Estados Unidos, respectivamente, José
Goldemberg e Alan Lloyd, assinam hoje (5/12 - segunda-feira), em Montreal,
no Canadá, um acordo para estabelecer ações conjuntas
para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, com benefícios
econômicos, ambientais e sociais em ambos os Estados. Este é
um dos eventos paralelos do 11º Encontro das Partes da Convenção-Quadro
das Nações Unidas para Mudanças Climáticas,
demonstrando que, apesar da resistência de alguns países,
como os Estados Unidos e Austrália, é possível adotar
medidas que contribuam para evitar a elevação da temperatura
do planeta.
O acordo prevê o intercâmbio de tecnologias e experiências
no setor de biocombustíveis e outras energias renováveis,
em que o Estado de São Paulo detém uma tecnologia avançaçada
e poderá auxiliar a Califórnia, por exemplo, na expansão
do uso do álcool renovável em seus veículos, substituindo
em parte a gasolina fóssil consumida. Segundo os cálculos,
cada 1% de álcool que o Estado norte-americano adicionar no combustível
automotivo, poderá evitar a emissão de 340 mil toneladas
de dióxido de carbono (CO2) por ano, economizando ainda US$ 22
milhões anuais líquidos, só com a diferença
de preço em relação à gasolina, mesmo com
as pesadas tarifas impostas ao produto brasileiro no mercado local.
O acordo prevê, ainda, intercâmbio na área de eficiência
energética para a economia e racionalização no uso
de energia elétrica, como normas para eletrodomésticos e
veículos eficientes, substituição do diesel por gás
natural, utilização de ônibus híbridos diesel-elétricos
e a o uso de diesel de baixo teor de enxofre em veículos, corredores
exclusivos de ônibus, qualidade do ar e controle de poluição.
Outro ponto a ser discutido são os programas de preservação
e recuperação de florestas e matas ciliares, pois ambos
os Estados administram grandes áreas de cobertura vegetal e possuem
grandes áreas (um milhão de hectares somente de matas ciliares
em São Paulo) que podem ser recuperadas, estocando carbono e recuperando
a biodiversidade.
Segundo o secretário do Meio Ambiente de São Paulo, professor
José Goldemberg, “os Estados mais populosos e ricos do Brasil
e dos Estados Unidos, conscientes de seus desafios energéticos
e ambientais, trazem uma importante mensagem aos demais governos, federais
e regionais, que participam dos diversos encontros de Montreal”.
Tanto Goldemberg quanto Lloyd, afirmam que as negociações
entre nações no âmbito do Protocolo de Kyoto não
acompanham o ritmo acelerado das mudanças climáticas, exigindo
ações mais efetivas do que apenas os mecanismos de compensação
existentes. “Os governos estaduais possuem grande flexibilidade
e agilidade na implantação de medidas adicionais e voluntárias”,
explicam.
Emissões
Califórnia e São Paulo, são
os Estados mais desenvolvidos em seus respectivos países e hemisférios.
A Califórnia sozinha é a quinta economia mundial, ocupando
o vigésimo lugar entre os maiores emissores mundiais de gases de
efeito estufa. Por esse motivo, por meio de políticas estaduais,
estimulou o uso de gás natural e de fontes renováveis de
energia ao invés do carvão mineral, promovendo ainda medidas
de eficiência energética, cada cidadão californiano
passou a produzir menos da metade de emissões de gases de efeito
estufa que seus compatriotas de outros estados, caindo em cerca de um
terço desde 1975, enquanto os índices nacionais permaneceram
inalterados.
O uso eficiente da eletricidade propiciou à Califórnia uma
economia equivalente a vinte usinas de 500 megawatts cada e o uso de tecnologias
mais eficientes em edifícios e aparelhos domésticos, propiciou
a cada californiano uma economia de US$ 1 mil entre 1975 e 1995. As medidas
de ganhos em eficiência energética, fez a economia estadual
crescer mais 3% - um ganho adicional de 31 bilhões de dólares
-, além de gerar mais US$ 8 bilhões em salários nos
próximos doze anos, resultando do crescimento em postos de trabalho.
O Estado de São Paulo, que representa aproximadamente um terço
da economia brasileira, é o 39º maior emissor global de gases
de efeito estufa, se posto lado a lado com as demais nações.
Porém, as medidas adotadas, desde 1999, permitiram a redução
das emissões de gases de efeito estufa, tanto per capita como por
unidade de atividade econômica. São medidas como a geração
de energia utilziando o gás metado produzido em aterros sanitários
e a adição de álcool à gasolina, que proporciona
uma economia ao consumidor de US$ 7,5 bilhões por ano.
Ambos os secretários afirmam que não há razão
para se temer que medidas de redução das emissões
de gases de efetio estufa levem à desaceleração do
desenvolvimento econômico.
O protocolo
Veja, na íntegra, o texto do acordo:
“Protocolo de Intenções sobre
Cooperação Técnica nas Áreas de Fontes de
Energias Renováveis, Melhorias no Meio Ambiente, Mudanças
Climáticas e Biodiversidade que entre si celebram o Estado da Califórnia,
nos Estados Unidos da América e o Estado de São Paulo, na
República Federativa do Brasil, por meio de sua Secretaria do Meio
Ambiente.
“Considerando que os Estados da Califórnia
e de São Paulo são os responsáveis pela maior parcela
da produção econômica de seus respectivos Países
- respondendo por 15 e 30 por cento de seus respectivos PIBs;
“Considerando que ambos os Estados são
os mais populosos em seus respectivos Países, com mais de 35.000.000
de habitantes cada;
“Considerando que ambos os Estados possuem
regiões com alguns dos problemas mais graves de poluição
atmosférica de seus respectivos Países - a área da
Grande Los Angeles e o Vale de San Joaquin, na Califórnia, e a
Região Metropolitana de São Paulo, no Estado de São
Paulo;
“Considerando que a vulnerabilidade à
mudança global do clima levou ambos os Estados a desenvolver iniciativas
para controlar as emissões de CO2 e outros gases de efeito estufa;
“Considerando que esforços pró-ativos
para mitigar as emissões de gases de efeito estufa e melhorar a
eficiência energética, são de grande interesse econômico
para ambos os Estados;
“Considerando que ambos os Estados lideram
as iniciativas para reduzir as emissões veiculares em seus respectivos
Países;
“Considerando que ambos os Estados são
líderes na introdução de combustíveis alternativos
visando baixar os níveis de tais emissões;
“Considerando que o intercâmbio de informações,
capacitação, transferência de tecnologia e mesmo educação
básica, necessitam ser intensificados e acelerados para atualizar-se
em relação às mudanças crescentes observadas
no campo ambiental; e
“Considerando que os Governos de São
Paulo e da Califórnia por intermédio de seus respectivos
órgãos de controle ambiental vêm envidando esforços
para reduzir as emissões atmosféricas, através de
medidas como o Decreto 48.523/2004 em São Paulo, e a Executive
Order S-3-05 na Califórnia, eStado da Califórnia, nos Estados
Unidos da América, e o estado de São Paulo, na Repúbca
Federativa do Brasil, celebram este Protocolo de Intenções
sobre Cooperação Técnica nas Áreas de Fontes
de Energias Renováveis, Melhorias no Meio Ambiente, Mudanças
Climáticas e Biodiversidade, entre os dois Estados, objetivando:
1.reduzir os malefícios da poluição atmosférica
tanto na Califórnia quanto em São Paulo;
2.mitigar a ameaça apresentada pelo aquecimento global às
economias, populações e ecossistemas dos dois Estados; e
3.obter os benefícios econômicos de políticas mais
limpas, de forma pró ativa e mais ambiciosa que outras medidas
já existentes.
“Buscando a realização desses objetivos, o presente
Protocolo de Cooperação viabiliza o desenvolvimento de atividades
entre os Estados da Califórnia e de São Paulo nas áreas
indicadas a seguir, conforme descritas em seu Anexo por intermédio
da California Environmental Protection Agency - Cal - EPA e da Secretaria
do Meio Ambiente do Estado de São Paulo - SMA e sua agência
ambiental, a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental - CETESB,
nos tópicos:
1.Qualidade do Ar:os dois Estados reconhecem que o ar limpo é condição
básica para a viabilidade de suas economias e para a saúde
de seus habitantes. São Paulo adotou um projeto de gerenciamento
da qualidade do ar semelhante ao estabelecido pelo Clean Air Act (Ato
Federal do Ar Limpo) da Califórnia. A Cal - EPA compartilhará
sua experiência com a SMA e a CETESB sobre a implementação
de legislação para o ar limpo.
2.Emissões de Gases de Efeito Estufa e Energia:os dois Estados
têm obtido consideráveis benefícios econômicos
decorrentes de ganhos em eficiência energética e de redução
da poluição. O interesse de suas economias e suas experiências
acumuladas levam os dois Estados a compartilhar abordagens metodológicas
e pesquisas em áreas como combustíveis alternativos, energias
renováveis e eficiência energética.
3.Corredores Dedicados para Ônibus:Em ambos os Estados, o transporte
é a causa primária da poluição atmosférica.
Planos para reduzir as emissões veiculares totais devem incluir
um aumento do uso de transporte público. Os Corredores Dedicados
para Ônibus (chamados de Bus Rapid Transit - BRT - na Califórnia),
são um complemento flexível e custo - efetivo ao metrô.
A tecnologia é madura e sistemas bem sucedidos estão em
operação em todas as Américas e em partes da Ásia.
Corredores foram desenvolvidos no Brasil e São Paulo abriga alguns
dos melhores especialistas em projetos de todo o mundo, que podem compartilhar
suas experiências com a Califórnia.
4.Florestas:Os dois Estados abrigam várias áreas de florestas
que são importantes como retentoras de carbono e nichos de biodiversidade.
Desta forma, tanto a SMA quanto a Cal - EPA reafirmam seu compromisso
de proteger essas áreas. Onde possível - e com o apoio de
outras agências relevantes, tais como o “Departamento de Florestas
e de Proteção de Incêndios do Estado da Califórnia”,
São Paulo e Califórnia compartilharão informações
e metodologias para preservar seus estoques de florestas e recuperar áreas
desmatadas.
5.Como conseqüência da experiência acumulada pelos Estados
e dos intercâmbios tecnológicos propostos, os dois Estados
explorarão as possibilidades de projetos de compensação
de emissões de gases de efeito estufa através do Mecanismo
de Desenvolvimento Limpo estabelecido pelo Protocolo de Quioto.
6.Os dois Estados também considerarão um programa educacional
de curto prazo focado nas novas questões ambientais levantadas
pelo presente Protocolo de Intenções.
“O presente Protocolo de Intenções,
firmado em duas vias de igual teor, nas línguas portuguesa e inglesa,
entrará em vigor nesta DATA, e terá validade de três
anos, com a possibilidade de ser prorrogado por mais dois anos, se assim
o desejarem os governos dos dois Estados.” |
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