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Os membros do grupo técnico formado na Secretaria
do Meio Ambiente em maio último para subsidiar as decisões
ambientais relativas ao complexo argileiro do município de Santa
Gertrudes, e composto por representantes da CETESB, DEPRN, DAIA e IG,
realizaram uma vistoria na área do complexo, no dia 15 passado,
visando o reconhecimento da área e a discussão do estudo
em desenvolvimento pela UNESP de Rio Claro intitulado "Interferência
da Atividade Minerária Argileira nos Recursos Hídricos da
Bacia do Ribeirão Santa Gertrudes, município de Santa Gertrudes-SP".
Entre outros problemas, por causa do arraste de grande quantidade de sedimentos,
já ocorreu o assoreamento do ribeirão, com consequente paralisação
da captação de águas para o abastecimento do município,
por duas vezes.
Em consequência da vistoria do dia 15, realizou-se uma reunião
técnica no dia seguinte, com a participação dos responsáveis
pela elaboração e desenvolvimento do estudo, e um novo encontro,
entre os membros do grupo técnico, foi marcado para o próximo
dia 05/09 com o objetivo de estabelecer condicionantes mínimas
necessárias para avaliação técnica da continuidade
do desenvolvimento das atividades extrativas e recuperação
da área já degradada pelo processo extrativo no complexo
argileiro. As decisões desta reunião subsidiarão
o setor minerário com os critérios técnicos a serem
seguidos na elaboração dos futuros projetos de exploração
das reservas minerárias, ainda existentes na área do Complexo
Argileiro. A continuidade do licenciamento ambiental dependerá
da regularização da Titularidade Minerária junto
ao Departamento Nacional De Produção Mineral - DNPM e da
finalização dos estudos hidrológicos e hidrogeológicos
pela UNESP.
Origem do grupo técnico da SMA
O município de Santa Gertrudes abriga parte do pólo fabricante
de pisos e revestimentos cerâmicos do Estado de São Paulo.
O município possui diversos empreendimentos minerários de
argila que abastecem as indústrias da região.
Parte destas lavras de argila localizam-se nas Fazendas Goiapá
e Boa Vista, nas cabeceiras do Córrego Santa Gertrudes, manancial
de abastecimento público do município de mesmo nome. Esses
empreendimentos minerários desenvolveram a lavra em total desacordo
com seus projetos licenciados junto ao DNPM e ao Sistema Ambiental do
Estado de São Paulo, o que culminou na aplicação
de infrações, paralisações de atividades e
exigências técnicas.
O exercício da lavra em desobediência ao projeto original
causou impactos não mensurados no processo de licenciamento ambiental
à bacia de captação de água de abastecimento
público do município de Santa Gertrudes. Em decorrência
disto, o Sistema Estadual de Meio Ambiente decidiu que a condução
dos processos de licenciamento estaria vinculada à avaliação
da interferência desses empreendimentos na capacidade hídrica
do manancial, tornando-se necessária a execução de
um estudo hidrológico e hidrogeológico, cuja análise
possibilitará a tomada de decisão quanto à utilização
da área para o desenvolvimento da atividade minerária.
Em novembro de 2004, após a paralisação das atividades
extrativas devido às irregularidades constatadas e a suspensão
da continuidade da análise do licenciamento pela SMA/CETESB solicitada
pelo DNPM - Departamento Nacional de Produção Mineral, seis
empresas ingressaram no Poder Judiciário com o objetivo de obter
as licenças de operação da CETESB. Nessa ocasião,
o juiz concedeu liminar autorizando o prosseguimento da extração
de argila nas áreas de prioridade, especificadas pelas licenças
de instalação.
Em 25/04/05, os efeitos da liminar foram suspensos após manifestação
da CETESB junto ao juiz, declarando que ocorrera a descaracterização
dos projetos apresentados no licenciamento, o que fez com que ele determinasse
que os empreendimentos paralisassem suas atividades.
Em 09/05, realizou-se reunião conjunta com os órgãos
da Secretaria do Meio Ambiente, quando definiu-se que a continuidade das
ações na área do complexo argileiro se daria de forma
integrada entre os órgãos envolvidos. Ficou definido, também,
que devido à complexidade ambiental dos problemas, os empreendimetos
instalados não seriam avaliados isoladamente, mas como uma lavra
única.
Formou-se assim o grupo técnico, para subsidiar as decisões
ambientais do complexo argileiro, composto pelos representantes de todos
os órgãos da SMA envolvidos, contando ainda com o apoio
técnico do Instituto de Pesquisas Tecnológicas - IPT e do
DNPM, para acompanhamento e avaliação do estudo hidrológico
e hidrogeológico, contratado pelo setor minerário e em desenvolvimento
pela UNESP de Rio Claro.
Texto e Fotografia
Lucia Vidor de
Sousa Reis
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