23/08/2005 Grupo técnico vistoria minerações paralisadas no município de Santa Gertrudes  
 

Os membros do grupo técnico formado na Secretaria do Meio Ambiente em maio último para subsidiar as decisões ambientais relativas ao complexo argileiro do município de Santa Gertrudes, e composto por representantes da CETESB, DEPRN, DAIA e IG, realizaram uma vistoria na área do complexo, no dia 15 passado, visando o reconhecimento da área e a discussão do estudo em desenvolvimento pela UNESP de Rio Claro intitulado "Interferência da Atividade Minerária Argileira nos Recursos Hídricos da Bacia do Ribeirão Santa Gertrudes, município de Santa Gertrudes-SP". Entre outros problemas, por causa do arraste de grande quantidade de sedimentos, já ocorreu o assoreamento do ribeirão, com consequente paralisação da captação de águas para o abastecimento do município, por duas vezes.

Em consequência da vistoria do dia 15, realizou-se uma reunião técnica no dia seguinte, com a participação dos responsáveis pela elaboração e desenvolvimento do estudo, e um novo encontro, entre os membros do grupo técnico, foi marcado para o próximo dia 05/09 com o objetivo de estabelecer condicionantes mínimas necessárias para avaliação técnica da continuidade do desenvolvimento das atividades extrativas e recuperação da área já degradada pelo processo extrativo no complexo argileiro. As decisões desta reunião subsidiarão o setor minerário com os critérios técnicos a serem seguidos na elaboração dos futuros projetos de exploração das reservas minerárias, ainda existentes na área do Complexo Argileiro. A continuidade do licenciamento ambiental dependerá da regularização da Titularidade Minerária junto ao Departamento Nacional De Produção Mineral - DNPM e da finalização dos estudos hidrológicos e hidrogeológicos pela UNESP.

Origem do grupo técnico da SMA

O município de Santa Gertrudes abriga parte do pólo fabricante de pisos e revestimentos cerâmicos do Estado de São Paulo. O município possui diversos empreendimentos minerários de argila que abastecem as indústrias da região.

Parte destas lavras de argila localizam-se nas Fazendas Goiapá e Boa Vista, nas cabeceiras do Córrego Santa Gertrudes, manancial de abastecimento público do município de mesmo nome. Esses empreendimentos minerários desenvolveram a lavra em total desacordo com seus projetos licenciados junto ao DNPM e ao Sistema Ambiental do Estado de São Paulo, o que culminou na aplicação de infrações, paralisações de atividades e exigências técnicas.

O exercício da lavra em desobediência ao projeto original causou impactos não mensurados no processo de licenciamento ambiental à bacia de captação de água de abastecimento público do município de Santa Gertrudes. Em decorrência disto, o Sistema Estadual de Meio Ambiente decidiu que a condução dos processos de licenciamento estaria vinculada à avaliação da interferência desses empreendimentos na capacidade hídrica do manancial, tornando-se necessária a execução de um estudo hidrológico e hidrogeológico, cuja análise possibilitará a tomada de decisão quanto à utilização da área para o desenvolvimento da atividade minerária.

Em novembro de 2004, após a paralisação das atividades extrativas devido às irregularidades constatadas e a suspensão da continuidade da análise do licenciamento pela SMA/CETESB solicitada pelo DNPM - Departamento Nacional de Produção Mineral, seis empresas ingressaram no Poder Judiciário com o objetivo de obter as licenças de operação da CETESB. Nessa ocasião, o juiz concedeu liminar autorizando o prosseguimento da extração de argila nas áreas de prioridade, especificadas pelas licenças de instalação.

Em 25/04/05, os efeitos da liminar foram suspensos após manifestação da CETESB junto ao juiz, declarando que ocorrera a descaracterização dos projetos apresentados no licenciamento, o que fez com que ele determinasse que os empreendimentos paralisassem suas atividades.

Em 09/05, realizou-se reunião conjunta com os órgãos da Secretaria do Meio Ambiente, quando definiu-se que a continuidade das ações na área do complexo argileiro se daria de forma integrada entre os órgãos envolvidos. Ficou definido, também, que devido à complexidade ambiental dos problemas, os empreendimetos instalados não seriam avaliados isoladamente, mas como uma lavra única.

Formou-se assim o grupo técnico, para subsidiar as decisões ambientais do complexo argileiro, composto pelos representantes de todos os órgãos da SMA envolvidos, contando ainda com o apoio técnico do Instituto de Pesquisas Tecnológicas - IPT e do DNPM, para acompanhamento e avaliação do estudo hidrológico e hidrogeológico, contratado pelo setor minerário e em desenvolvimento pela UNESP de Rio Claro.

Texto e Fotografia
Lucia Vidor de Sousa Reis