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Ver sob a ótica dos países desenvolvidos
ou dos em desenvolvimento a questão da responsabilização
pela emissão dos gases que causam o Efeito Estufa? Como estabelecer
os critérios para definir da forma mais justa possível o
conceito de “equidade”, em vista das diferenças culturais
e desigualdades existentes? Esses foram alguns dos impasses explicitados
nos debates promovidos durante o seminário internacional “Equidade
no Período Pós-Quioto”, realizado ontem e hoje (27/07),
no auditório da Fundação Getúlio Vargas -
FGV, pelo Fórum Paulista de Mudanças Climáticas Globais
e de Biodiversidade, em parceria com o Centro de Estudos em Sustentabilidade
da FGV e a organização inglesa Action for a Global Climate
Community.
Um dos objetivos do evento foi justamente o de promover discussões
em torno de estratégias que poderão vir a ser implementadas
pelos países após 2012, quando se encerra a primeira fase
dos compromissos assumidos no âmbito do Protocolo de Kyoto, assinado
por 194 países e em vigor desde fevereiro último. Com o
início da segunda fase, os chamados países em desenvolvimento
terão de assumir responsabilidades quanto à emissão
de gases causadores do efeito estufa.
De acordo com Audrey Meyer, diretor do Global Commons Institute - CGI,
de Londres, que expôs e defendeu o modelo conhecido como Contração
e Convergência - C&C, que estabelece basicamente uma cota de
redução das emissões globais e um ponto de convergência
futura de emissão per capita, ou seja, cada pessoa teria direito
a uma emissão igual, a partilha internacional dessa cota, sob a
forma de “créditos”, resultaria de uma “taxa
negociável de convergência linear que iguala globalmente
as cotas por pessoa, até uma data limite acordada, dentro do prazo
do acordo de contração e concentração”,
o qual o CGI sugere o ano de 2030 ou 2040.
Segundo Meyer, atualmente a comunidade global continua a gerar alterações
climáticas perigosas, a um ritmo mais rápido do que aquele
a que se organiza para evitá-las, e que o desafio da diplomacia
internacional é o de inverter esta tendência. Neste contexto,
o objetivo da C&C é tornar isso possível, ao permitir
que cenários para um clima mais seguro sejam calculados e partilhados
através de negociações, de modo a que as políticas
e medidas sejam organizadas a nível internacional a taxas que evitem
alterações climáticas globais perigosas.
Por seu lado, o coordenador geral de Mudanças Climáticas
do Ministério da Ciência e Tecnologia - MCT, José
Domingos Miguez, apresentou a proposta brasileira para o Protocolo de
Kyoto, formulada inicialmente em 1997 e atualizada em 2000, e que basicamente
insere a responsabilidade histórica dos países com relação
às causas do aumento da temperatura no planeta e estimula a participação
nos esforços globais, no combate às mudanças climáticas,
por meio de iniciativas que contribuam para o desenvolvimento sustentável.
Quanto ao estágio atual da proposta brasileira, no que se refere
ao primeiro item Miguez informou que o estabelecimento dos critérios
de diferenciação de responsabilidades está em revisão,
ao passo que a consolidação do Mecanismo de Desenvolvimento
Limpo - MDL, incluído no Protocolo de Kyoto, atesta o acerto do
segundo item. Ele informou, também, que o Brasil é o país
que mais tem projetos de MDL em validação, cerca de 30 até
junho último, mostrando o efetivo engajamento e contribuição
brasileira ao Protocolo.
Para o prof. Paulo Kageyama, diretor de Conservação e Biodiversidade
do Ministério do Meio Ambiente, a importância do seminário
promovido pelo Fórum Paulista de Mudanças Climáticas
Globais e de Biodiversidade reside principalmente no fato de que “pela
primeira vez, a proposta brasileira é debatida com a comunidade
científica, ONGs e o público em geral”. Segundo Kageyama,
é de suma importância a posição brasileira
com relação à responsabilização dos
países industrializados, no caso das emissões dos gases
de efeito estufa.
Ele é de opinião que a outra proposta, que defende o modelo
de Contração e Convergência, ajuda a enriquecer o
debate, mas reafirmou a posição do Ministério do
Meio Ambiente plenamente a favor da proposta brasileira. “Vemos
muitas possibilidades da aplicação do MDL no Brasil em função
de experiências de restauração de matas ciliares,
visando a mitigação dos efeitos da concentração
dos gases de efeito estufa”, complementou. Kageyama lembrou, ainda,
que o Brasil assumiu o compromisso de redução do desmatamento
na Amazônia, cujos frutos já se fazem sentir, conforme os
últimos dados de taxa de desmatamento.
Texto:
Mário
Senaga
Fotos:
Zé Jorge |
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Audrey Meyer, diretor do Global Commons Institute
- CGI,
de Londres

O coordenador geral de Mudanças Climáticas
do Ministério da Ciência
e Tecnologia - MCT, José Domingos Miguez

Prof. Paulo Kageyama, diretor de Conservação
e Biodiversidade do Ministério do Meio Ambiente
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