09/06/2005 Curso mostra como captar recursos para
desenvolver projetos na área ambiental
 
 

A Secretaria do Meio Ambiente do Estado - SMA, por intermédio da Coordenadoria de Planejamento Estratégico e Educação Ambiental - CPLEA, realizou nesta quinta-feira (9/6), o curso "Captação de Recursos para Projetos Socioambientais". Temas como ‘Mobilização de Recursos e Sustentabilidade Institucional’, ‘Ética na Captação de Recursos’ e ‘Eventos de Captação de Recursos’, foram apresentados e discutidos com o público que lotou o auditório do Parque Dr. Fernando Costa, localizado na Zona Oeste da Capital.

O psicólogo Marcelo Estraviz, diretor da Fundação do Desenvolvimento Administrativo - FUNDAP e sócio-fundador da Associação Brasileira de Captadores de Recursos - ABCR, explicou o quanto é importante definir com clareza a missão da organização. "Com um foco bem definido é possível aglutinar pessoas com os mesmos interesses. Não adianta sair atirando para todos os lados. Nos Estados Unidos, quando uma organização não atrai um número significativo de aliados, num determinado período, fica estabelecido que aquela causa não interessa à sociedade e a organização deixa de existir", ressaltou.

Estraviz informou que no Brasil as ONGs - Organizações Não-Governamentais, ainda buscam um único patrocinador que dê um grande volume de verba para a causa, pois acreditam que efetuar parceria com pessoas comuns tem pouco retorno. Não percebem, no entanto, que é assim que vão conseguindo aglutinar as pessoas.

Na Europa a captação de recursos é feita por meio da busca de parceiros, sócios-contribuintes e voluntários, aliando esforços com outros que lutam pela mesma causa. "A pirâmide de recursos deve ter em seu topo os grandes doadores e em sua base os apoiadores que sustentam a causa”, afirmou Straviz.

A advogada Elisa Rodrigues Larroudé, professora da disciplina Organizações Não-Governamentais no curso de Relações Internacionais da UNI-FMU, abordou o tema "Ética e Captação de Recursos" desenvolvendo cinco tópicos: interesses em jogo, fontes polêmicas, remuneração por comissionamento, código de ética e padrões da prática e, por último, captação internacional.

A distribuição dos recursos captados, segundo Larroudé, contrapõe diferentes interesses entre a organização, que representa interesses coletivos, o profissional que captou o recurso e quer ter o seu trabalho remunerado, os doadores, os beneficiários, ou seja, o público-alvo que dificilmente tem voz nas tomadas de decisões, e o governo e a sociedade que esperam que o trabalho seja feito de forma lícita, atendendo o interesse público.

"A contraposição de interesses gera conflitos, mas um tem de prevalecer e, por isso, é importante usar como documento norteador o Código de Ética da ABCR. O documento foi inspirado em códigos de outros países e, no momento, estamos participando das discussões para a criação de um Código Universal sobre o tema", adiantou Larroudé. O código pode ser obtido na integra no site www.abcr.com.br/cetica.htm .

"A realização de eventos especiais é uma excelente forma de captação de recursos", afirmou Camila Cheibub Figueiredo, logo no início de sua apresentação. Graduada em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas e com experiência na área de captação de recursos para o Museu de Arte de São Paulo - MASP e Museu de Arte de Nova York - MOMA, Figueiredo apresentou várias dicas de como realizar um evento perfeito, ou quase, pois segundo ela "os imprevistos sempre ocorrem".

Dentre os tópicos que foram detalhados encontram-se itens como objetivos, público-alvo, tamanho e tipo do evento, orçamento e planilha, estratégias de realização, divulgação e estratégia de vendas.

O conteúdo das palestras está disponível no site www.ambiente.sp.gov.br , na página Educação Ambiental.

Texto:
Cris Olivette
Fotos:
Pedro Calado


Camila Cheibub Figueiredo, logo no início de sua apresentação. Graduada em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas e com experiência na área de captação de recursos para o Museu de Arte de São Paulo - MASP e Museu de Arte de Nova York - MOMA.


A advogada Elisa Rodrigues Larroudé, professora da disciplina Organizações Não-Governamentais no curso de Relações Internacionais da UNI-FMU.