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O Fórum Paulista de Mudanças Climáticas
Globais e de Biodiversidade, criado em fevereiro pelo Governo do Estado,
realizou nesta terça-feira (31/5), a 1ª Reunião Técnica
da Câmara Temática sobre Metodologia de Projetos Florestais
de Seqüestro de Carbono. O evento, realizado na Secretaria do Meio
Ambiente do Estado, contou com a participação de Suani Teixeira
Coelho, secretária-adjunta do Meio Ambiente, Luiz Pinguelli Rosa,
secretário-executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças
Climáticas,e Luiz Gylvan Meira Filho, do Instituto de Estudos Avançados
da Universidade de São Paulo e membro da Junta Executiva do Mecanismo
de Desenvolvimento Limpo - MDL, do Protocolo de Kyoto, além de
representantes de diversas organizações não-governamentais,
entre outros. O encontro foi coordenado pelo secretário-executivo
do Fórum Paulista de Mudanças Climáticas Globais
e de Biodiversidade, Fábio Feldmann.
O Fórum Paulista, da mesma forma que o Fórum Brasileiro
de Mudanças Climáticas, criado pelo Governo Federal em 2000,
tem o objetivo de conscientizar e mobilizar a sociedade acerca dos problemas
decorrentes da mudança do clima em função dos gases
de efeito estufa e das metas estabelecidas pelo Protocolo de Kyoto para
a redução das emissões em todo o mundo.
No encontro de hoje, após ouvir representantes do Instituto Florestal,
Fundação Florestal e Instituto de Botânica, vinculados
à Secretaria do Meio Ambiente, sobre a necessidade de criação
de mecanismos de proteção para os recursos hídricos
e a vegetação nativa em São Paulo, o secretário-executivo
do fórum sugeriu a criação de uma câmara temática
sobre o tema, com a participação das três instituições.
MDL
Em sua exposição, o professor Luiz
Gylvan Meira Filho lembrou que a principal questão, suscitada pelos
economistas, é o enorme gasto que representa a concretização
das ações para se alcançar a estabilização
das emissões dos gases de efeito estufa. “Eles dizem que
isso custa muito caro”, afirmou. Nesse contexto, Meira defendeu
o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo - MDL, um sistema que permite a países
industrializados alcançarem suas metas de redução
de emissões por meio do financiamento de projetos “limpos”
nos países em desenvolvimento.
Em alguns casos, explicou, o MDL pode implementar políticas públicas
já delineadas, mas não efetivadas em função
de dificuldades diversas. Como exemplo, lembrou a recuperação
e preservação de matas ciliares, que já conta com
iniciativas da Secretaria do Meio Ambiente, mas que poderia receber incentivos
provenientes do sistema.
Ao final, enfatizou a importância de todos os países se convencerem
de que não poderão aumentar as emissões indefinidamente:
“O único jeito de estabilizar as concentrações
é estabilizando as emissões”.
Para o secretário-executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças
Climáticas, Luiz Pinguelli Rosa, uma das dificuldades para implementar
ações mais efetivas em âmbito nacional reside no processo
de integração dos fóruns nacional e estaduais. Em
sua opinião, é preciso buscar equilíbrio no relacionamento
político com o governo brasileiro, procurando caminhos para sensibilizá-lo
e estimulá-lo para as ações necessárias, sem
confrontá-lo, evitando o risco de tornar inócuas as discussões
realizadas.
Por seu lado, o representante do Fórum Brasileiro de ONGs e Movimentos
Sociais para Meio Ambiente e Desenvolvimento, Rubens Harry Born, lembrou
que um dos principais debates levados a cabo no momento é sobre
os benefícios do MDL para o clima e a biodiversidade. Os debates,
segundo Born, deverão ajudar a preparar o país na definição
das metas a serem cumpridas.
Rodrigo Mendonça, do Instituto Vidágua, de Bauru, questionou
o modo como se dará a participação social nos projetos
de MDL e expressou sua percepção acerca da falta de preparo,
tanto da sociedade como do governo, para lidar com as questões
técnico-científicas que deverão subsidiar as políticas
públicas relativas ao assunto.
Paulo Moutinho, do Instituto de Pesquisas da Amazônia - IPAM e Observatório
do Clima, deu como exemplos a existência de um fórum indígena
de mudanças climáticas e a convergência entre todos
os atores envolvidos com o tema, para embasar sua opinião de que
a sociedade brasileira “evoluiu muito” na discussão
da questão, que conforme lembrou inclui a informação
de que 70% das emissões de gases do efeito estufa se dá
devido ao desmatamento.
Texto:
Mário Senaga
Fotos:
José Jorge |
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