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A região do Vale do Paraíba responde
por 5% da produção nacional e 25% da paulista de areia para
a construção civil, destinando 80% dos 750 mil m3 extraídos
todos os meses para a Região Metropolitana de São Paulo.
Trata-se de uma atividade considerada degradadora do meio ambiente, o
que motivou a realização do Seminário “Recuperação
de Áreas Degradadas pela Extração de Areia no Vale
do Rio Paraíba do Sul”, na úlltima segunda-feira (16/5),
pela Secretaria do Meio Ambiente do Estado - SMA, no auditório
da Câmara Municipal de São José dos Campos.
O objetivo do evento foi de proceder à avaliação
da atividade de mineração na região, para subsidiar
a elaboração do Zoneamento Ambiental Minerário e
discutir as formas de recuperação das áreas exploradas
pela atividade.
O seminário contou com a presença da secretária-adjunta
do Meio Ambiente, Suani Teixeira Coelho, coordenadora da Coordenadoria
de Planejamento Estratégico e Educação Ambiental
- CPLEA, Lúcia Bastos Ribeira de Sena, coordenador da Coordenadoria
de Licenciamento Ambiental e de Proteção de Recursos Naturais
- CPRN, João Antonio Fuzaro, e diretora do Instituto Geológico,
Sonia Abissi Nogueira, além de representantes de prefeituras, universidades,
empresários e ambientalistas, além de técnicos de
diversos órgãos da SMA.
Lina Aché, da CPLEA, e Ivan Silva de Oliveira, do DEPRN, fizeram
uma apresentação do Zoneamento Ambiental para Mineração
de Areia na Várzea da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba
do Sul, compreendendo o trecho entre os municípios de Jacareí
e Pindamonhagaba, iniciado em 1999, na primeira experiência do gênero
no país. Segundo os técnicos, a areia, por ser um bem mineral
de baixo custo de exploração, foi extraída de forma
intensa na região nos últimos 50 anos. Lembraram que, no
início, a extração era realizada no leito do Rio
Paraíba do Sul, prática que mais tarde passou para as cavas
na planície em Jacareí, avançando mais recentemente
na região entre Caçapava e Tremembé, que constitui
atualmente a área mais crítica em termos de degradação.
Segundo a representante da CPLEA, a origem dos trabalhos que culminaram
com o zoneamento minerário foi a conjunção de problemas
verificados, como alterações ambientais na planície
aluvionar, conflitos com outros usos do solo e situações
críticas de adensamento da atividade, além do fato de que,
em 1995, promotores públicos, vereadores e prefeitos passaram a
exigir uma definição referente à regularização
dos portos de areia.
Falando rapidamente das bases legais relativas à atividade, Lina
mencionou que a Resolução CONAMA (Conselho Nacional do Meio
Ambiente) 01/86 apenas exigia a elaboração do Estudo de
Impacto Ambiental-Relatório de Impacto Ambiental - EIA-RIMA, ao
passo que a Resolução SMA 18/89 já acrescentava a
obrigatoriedade da recuperação de áreas degradadas
para empreendimentos em funcionamento anterior a 1986. Por meio da resolução
32/95, a SMA e o Consórcio para o Desenvolvimento Integrado do
Vale do Paraíba - CODIVAP criaram um grupo de trabalho que estabeleceu
diretrizes regularizando a atividade minerária na várzea
do rio, incluindo o licenciamento e a fiscalização, por
meio da Resolução SMA 42/96, e o planejamento, abrangendo
o Zoneamento Ambiental Minerário, por meio da Resolução
SMA 28/99. De acordo com a técnica, entre os ganhos obtidos com
essas iniciativas verificou-se a recuperação de áreas,
a agilização da análise de processos de licenciamento
e a transparência nos critérios técnicos adotados,
entre outros.
O representante do DEPRN informou que o zoneamento e as ações
integradas de controle ambiental, pela CETESB, DEPRN e Polícia
Ambiental, entre 1996 e 2005, resultaram até o momento em 1.634
inspeções e vistorias, sendo 443 vistorias conjuntas, 129
advertências e 95 multas. Ivan Silva também informou que,
no período abrangido entre a Resolução 28/99 e o
último mês de abril, foram concedidas 63 licenças,
para os municípios de Jacareí, Caçapava, Taubaté,
Tremembé e Pindamonhagaba.
De acordo com o técnico, em toda a região, incluindo os
empreendimentos paralisados e encerrados até 30 de abril, o número
total de empreendimentos é de 137, sendo que 60 estavam em funcionamento,
73 estavam paralisados ou com atividades encerradas e 4 não chegaram
a se implantar.
Quanto à expansão do setor, Silva afirmou que Taubaté
e Tremembé representam os casos mais preocupantes, “com uma
explosão de atividade minerária”.
Informou, por outro lado, que enquanto em Jacareí e São
José dos Campos, a atividade apresentou um decréscimo ou
estabilização, houve crescimento em Taubaté, de 0,148
km2 em 1986, para 1,94 km2 em 1997 e 3,12 km2 em
2001; em Tremembé, de 0,490 km2 em 1986, para 4,367
km2 em 1997 e para 6,909 km2 em 2001.
Com relação à recuperação de áreas
degradadas pela extração de areia, Silva informou que 25%
dos empreendimentos têm processos classificados como bom, tendo
cumprido as exigências, enquanto 38% ficaram caracterizados como
regular, apresentando atrasos nos cronogramas estabelecidos, e 37% como
ruim, apresentando atividades degradadoras.
Ambos os técnicos defenderam a necessidade de aprimoramento dos
indicadores para avaliar os processos de recuperação, bem
como um maior envolvimento das prefeituras e proprietários para
definir e estimular outros usos das áreas degradadas. Acrescentaram,
ainda, a necessidade de legislação para áreas abandonadas,
maior participação da sociedade na fiscalização
e recuperação e pesquisas sobre possibilidades de uso pós-mineração.
O engenheiro Paulinho Dalmaz, superintendente de Obras e Serviços
da Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Curitiba, que também
participou do seminário, disse que, desde 1971, na administração
do arquiteto Jaime Lerner, foram criados 13 grandes parques na cidade,
ocupando antigas pedreiras. Um exemplo característico é
o Parque Iguaçu, com 8,2 milhões de m2.
Dalmaz lembrou que, em 2002, o Governo do Estado delegou a Curitiba a
competência pelo licenciamento ambiental no âmbito municipal,
estabelecendo exigências para empreendimentos do setor areeiro que,
para obter a autorização para operar, devem obrigatoriamente
definir o uso da área depois de encerrada a atividade de extração.
Texto:
Mário Senaga
Fotos:
José Jorge |
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Lina Aché, da CPLEA

Ivan Silva de Oliveira, do DEPRN

O engenheiro Paulinho Dalmaz, superintendente de
Obras e Serviços da Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Curitiba
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