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A CETESB Companhia de Tecnologia de Saneamento
Ambiental divulgou hoje (31/3) o Relatório de Qualidade do Ar no
Estado de São Paulo 2004. Além de reiterar a necessidade
urgente do Programa de Inspeção Veicular, que se encontra
ainda em discussão no âmbito federal, o presidente da agência
ambiental paulista, Rubens Lara, destacou também a atuação
do corpo técnico da CETESB ao longo de sua existência, que,
segundo lembrou, tem prestado contribuição decisiva para
a elaboração de diversas leis que ajudaram a melhorar a
qualidade do ar, como ocorreu em 2004, conforme os dados do relatório,
cuja íntegra encontra-se disponível no site www.cetesb.sp.gov.br.
O secretário de Estado do Meio Ambiente, professor José
Goldemberg, por sua vez, recordou que esse foi o quarto e último
relatório anual de informações e análises
ambientais divulgado pela CETESB neste ano os outros três,
apresentados nos dias anteriores, foram os relativos à qualidade
das águas interiores e litorâneas e à situação
do lixo no Estado - , enfatizando a eficiência e o atendimento à
legislação com relação à produção
desses documentos, já que, por lei, esses relatórios têm
de ser divulgados e disponibilizados à população
até o mês de março.
Melhoria de qualidade do ar
O Relatório de Qualidade do Ar no Estado de São Paulo com
os dados de 2004 mostra que as condições meteorológicas
se apresentaram favoráveis à dispersão da poluição
na maior parte do ano passado, o que contribuiu significativamente para
a melhoria da qualidade do ar.
Mostra também o crescimento da contribuição das motocicletas
para a poluição do ar, confirmando a tendência anunciada
no relatório de 2003 e o acerto na implementação
do PROMOT - Programa de Controle da Poluição do Ar por Motocicletas
e Veículos Similares, pois esse meio de transporte emite 15 vezes
mais poluição que um carro novo.
Outro dado relevante do relatório é o que indica um pequeno
aumento nas estimativas da emissão total de CO da frota circulante
de carros leves a álcool e gasolina, apontando para a necessidade
de implementação do Programa de Inspeção Veicular,
para garantir a continuidade da eficácia do PROCONVE - Programa
de Controle de da Poluição do Ar por Veículos Automotores.
A análise ambiental é feita com base nas estimativas dos
poluentes emitidos pelos veículos e indústrias (as chamadas
fontes móveis e fontes fixas) e pelas condições meteorológicas
de dispersão da poluição, tendo como base os dados
de concentração de poluentes observados pelas redes de monitoramento
da CETESB.
Publicado anualmente desde 1985, o relatório tem como objetivos
o acompanhamento das tendências da qualidade do ar ao longo dos
anos e a divulgação dos níveis de poluição
atmosférica registrados nas diversas regiões do Estado.
Essas informações servem, ainda, para acompanhar e orientar
as medidas de controle ambiental que visam a melhoria da qualidade do
ar.
Aspectos meteorológicos
O inverno de 2004 apresentou as condições meteorológicas
para dispersão dos poluentes mais favoráveis dos últimos
cinco anos, o que contribuiu para a redução das concentrações
dos poluentes, principalmente nos casos do monóxido de carbono
(CO) e material particulado (MP). Mas mesmo no caso do ozônio (O3),
em que os episódios ocorrem o ano todo, em 2004 não foram
registradas tantas ocorrências quanto em anos anteriores.
Região Metropolitana de São Paulo
Na Região Metropolitana de São Paulo - RMSP, onde a frota
de veículos leves já supera os 6,6 milhões e a frota
de veículos a diesel é de cerca de 450 mil, os carros de
passeio, ônibus, caminhões, vans, caminhonete e motos são
os maiores causadores da poluição do ar. Os poluentes que
mais freqüentemente ultrapassam os limites legais nessa região
são o material particulado e o monóxido de carbono, além
do ozônio, que responde pela maioria das ultrapassagens de padrão,
mas não é emitido diretamente pelas fontes.
Monóxido de carbono
Em 2004, foi registrada a menor freqüência de violações
do padrão de Qualidade do Ar (PQAR) desde o início do monitoramento
desse poluente. Foram apenas 5 registros de ultrapassagem de padrão
(PQAR) de CO na RMSP, em que a qualidade do ar esteve inadequada, sendo
três delas na estação em São Caetano do Sul.
Estes episódios ocorreram no período noturno, sob condições
de estagnação atmosférica.
A partir da década de 90 observou-se uma redução
significativa das emissões totais de CO na RMSP, em conseqüência
da queda nos fatores de emissão de veículos novos movidos
a gasolina, para atendimento às exigências do PROCONVE. Mais
recentemente, porém, não se observa uma tendência
clara de redução, já que o número de ultrapassagens
tem acompanhado as variações nas condições
meteorológicas de dispersão e as estimativas da emissão
total de CO da frota circulante de carros leves a álcool e a gasolina
apresentaram um pequeno aumento.
Material particulado
Por ter em grande parte sua origem também nas emissões veiculares,
houve uma redução significativa deste poluente na atmosfera
em comparação aos valores que eram observados no início
da década de 90. Porém, da mesma forma que o CO, nos últimos
anos tem-se observado uma redução menos acentuada, tanto
em termos de média anual quanto no número de episódios
de ultrapassagem do Padrão de 24 horas. A significativa redução
em 2004 deveu-se, em grande parte às condições meteorológicas
mais favoráveis observadas no ano.
Ozônio
O ozônio é o poluente que mais ultrapassa os limites legais
na RMSP. Os resultados observados nos últimos anos mostra que os
níveis têm se mantido praticamente constantes, apresentando
menor número de ocorrências em 2004 devido ao já citado
benefício propiciado pelas condições meteorológicas.
O problema de poluição causada por ozônio é
mundial e se manifesta de forma mais intensa nas grandes cidades e arredores
devido principalmente às emissões veiculares. Medidas eficazes
para redução do ozônio são bastante complexas,
uma vez que este é um poluente formado na atmosfera e sua redução
envolve programas de controle de seus precursores, como o dióxido
de nitrogênio e hidrocarbonetos.
Cubatão
Embora a região de Cubatão, sobretudo a área industrial,
ainda apresente forte degradação da qualidade do ar, atualmente
o poluente que apresenta níveis mais altos é o material
particulado, principalmente no período de inverno, sendo a partícula
inalável o maior motivo de preocupação. Em 2004,
foram 31 dias de ultrapassagens do padrão de 24 horas e um dia
de ultrapassagem do nível de atenção.
Interior
O ozônio é o poluente que mais ultrapassa os limites nas
estações de medição da qualidade do ar no
interior do Estado, com destaque para a estação localizada
no Município de Paulínia, com um número de dias de
ultrapassagem equivalente às estações da RMSP
Diesel metropolitano
Os entendimentos com a Agência Nacional
do Petróleo, implementados a partir do final de 2004 já
começam a apresentar resultados positivos para a melhoria da qualidade
do ar nas regiões metropolitanas do Estado de São Paulo.
É o caso da Resolução n.º 12, de 22 de março
de 2005, a partir da qual a ANP fixou o limite máximo do enxofre
no diesel metropolitano em 500 ppm.
Até então, o diesel metropolitano (distribuído no
Estado para as regiões metropolitanas da Grande São Paulo,
Baixada Santista, Vale do Paraíba e Campinas) tinha o teor máximo
de enxofre fixado em 2.000 ppm. Na prática, o óleo diesel
distribuído continha apenas 1.100 ppm, o que indica que a melhoria
pode ser ainda maior, caso a Petrobras mantenha os limites abaixo do autorizado.
Texto
Eli Serenza
Fotografia
José Jorge
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