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Legislação

Legislação

 
Os aspectos jurídicos envolvendo os oceanos são complexos. Primeiramente tem-se as legislações internacionais como a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (CNUDM) assinada pelo Brasil em 1982, que define cinco zonas no oceano cujas dimensões e direitos estão descritos na Tabela 1.

No Brasil a Lei 8617/93 definiu os limites do mar territorial sob jurisdição nacional estabelecidos pela convenção. As linhas de base, por sua vez, foram estabelecidas de acordo com o Decreto 4983 de fevereiro de 2004.
 
Tabela 1

ZONA
Extensão
Características legais
Mar territorial
Até 12 milhas náuticas a partir da costa ou linhas de base de cada país
É considerada parte do território do país costeiro que te soberania sobre esse espaço.
Zona Contígua
12 milhas adicionais a partir do Mar Territorial
O país tem direito de controlar imigração, alfândega e poluição.
Zona Econômica Exclusiva
Estende-se até 200 milhas náuticas a partir da costa
Direitos de soberania para fins de exploração e aproveitamento, conservação e gestão dos recursos naturais das águas sobrejacentes ao leito do mar, do leito do mar ao seu subsolo.
Plataforma Continental
Compreende o leito e o subsolo das áreas submarinas até a borda da margem continental. No mínimo 200 milhas náuticas até 350 milhas náuticas da costa
O país tem direito sobre os recursos minerais dessa plataforma inclusive petróleo
Mar aberto
Zona marítima que se estende além das áreas de jurisdição nacional
Uso comum

 
O gerenciamento Costeiro

Considerado parte integrante da Política Nacional para os Recursos do Mar (PNRM) e da Política Nacional do Meio Ambiente, o Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro (PNGC), foi instituído pela lei 7.661, de 16 de maio de 1988. Em 1997 foi aprovado o PNGC-II regulamentado por atos da Comissão Interministerial para os recursos do mar (CIRM) e coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente.

O Plano Estadual de Gerenciamento Costeiro foi instituído em 1998 pela lei estadual 10.019 que estabeleceu os objetivos, diretrizes, metas e os instrumentos para sua elaboração, aprovação e execução, com a finalidade de disciplinar e racionalizar a utilização dos recursos naturais da Zona Costeira, visando à melhoria da qualidade de vida das populações locais e a proteção dos ecossistemas. Esse plano definiu Zona Costeira como “o espaço geográfico delimitado, na área terrestre, pelo divisor de águas de drenagem atlântica no território paulista, e na área marinha até a isóbata de 23,6 metros representada nas cartas de maior escala da Diretoria de Hidrografia e Navegação do Ministério da Marinha. Engloba todos os ecossistemas e recursos naturais existentes em suas faixas terrestres, de transição e marinha”.

Mais recentemente, dois diplomas legais, um de âmbito federal e outro de âmbito estadual, ambos editados no DOU 07 de dezembro de 2004, constituem até o presente momento, as últimas etapas desse processo.

No âmbito federal o Decreto nº 5.300 estabeleceu os limites, princípios, objetivos, instrumentos e competências para a gestão, bem como as regras de uso e ocupação da zona costeira, especialmente a orla marítima.

No âmbito estadual o decreto nº 49.215 dispôs sobre o zoneamento do Litoral Norte, considerando a necessidade de promover o ordenamento territorial e de disciplinar os usos e atividades de acordo com a capacidade de suporte do ambiente, bem como de estabelecer as formas e os métodos de manejo dos organismos aquáticos e os procedimentos relativos às atividades de pesca e aquicultura de modo a resguardar a pesca artesanal. Sua importância está também no fato de fornecer os subsídios necessários à fiscalização e ao licenciamento ambiental. Foram gerados mapas com as delimitações das Zonas tanto terrestres como marinhas de acordo com o grau de degradação aceito e os usos permitidos como exemplificado na figura 4.

Legislação referente à qualidade das águas
 
Com relação à qualidade das águas marinhas e salobras, há duas resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) que tratam do assunto: a Resolução 357/05 que define classes de águas e padrões máximos para os principais poluentes; e a Resolução 274/00 específica sobre balneabilidade.
 
Resolução do Conama 357/2005
 
Na década de 1980 a resolução Conama 20/86 estabeleceu classes de qualidade para águas salinas e salobras. Em 2005, concluiu-se a revisão dos critérios e classes de qualidade de águas vigentes desde então, com a aprovação da nova resolução 357.
No que se referem às águas salinas e salobras os avanços foram muitos, sendo os principais:
·         a inclusão dos nutrientes como parâmetros, o que permite a identificação de eutrofização do ambiente
·         o estabelecimento de quatro categorias de classes de qualidade de águas (Especial, classes 1, 2 e 3) tanto para águas salinas quanto salobras, substituindo as duas classes anteriormente existentes, cujas características principais estão descritas a seguir:
Classe Especial: mais restritiva - manutenção das condições e do equilíbrio natural
Classe 1: não verificação de efeito tóxico crônico a organismos
Classe 2: não verificação de efeito tóxico agudo a organismos
Classe 3: menos restritiva - poucos padrões
 
Os padrões estabelecidos para as classes citadas estão de acordo com os usos previstos para cada uma delas. Cabe ressaltar que enquanto não for realizado o enquadramento dessas águas, serão todas consideradas como classe 1.
 
Nas Tabelas 2 e 3 são apresentados alguns dos padrões estabelecidos para as classes de águas salinas e salobras no que se refere aos nutrientes e outros indicadores de eutrofização e os indicadores bacteriológicos para os diversos usos. 
 
 
Tabela 2. Padrões para as classes de qualidade de água.

 
Águas Salinas
Águas Salobras
Composto
Classe1 (mg/L)
Classe2 (mg/L)
Classe 3 (mg/L)
Classe 1 (mg/L)
Classe 2 (mg/L)
Classe 3 (mg/L)
Oxigênio Dissolvido
6.0
5.0
4.0
5.0
4.0
3.0
Carbono Orgânico Total
3,0
5,0
10.0
3,0
5,0
10.0
Nitrogênio Amoniacal total
0,40
0,70
-
0,40
0,70
-
Nitrito
0,07
0,20
-
0,07
0,20
-
Nitrato
0,40
0,70
-
0,40
0,70
-
Fósforo
0,062
0,093
-
0,124
0,186
-
Polifosfato
0,031
0,046
-
0,062
0093
-

 
Tabela3. Padrões de coliformes termotolerantes (UFC/100 mL) para os diversos usos previstos.

Classes
de água
Recreação de contato primário
Cultivo de moluscos bivalves
Recreação de contato secundário/Irrigação*
Demais usos
Classe 1
 
< 1000 em 80%
< 2500 em 90%
5 amostras semanais
M.geométrica < 43
e < 88 em 90%
15 amostras (5x/ano)
< 200 (salobra)
< 1000 em 80%
(6 amostras/ ano)
Classe 2
 
-
-
< 2500 em 80%
(6 amostras/ ano)
< 2500 em 80%
(6 amostras/ ano)
Classe 3
-
-
-
< 4000 em 80%
(6 amostras/ ano)



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