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A CETESB - Companhia de Tecnologia de Saneamento
Ambiental assinou um convênio, pelo qual está recebendo a
quantia de R$ 450 mil, como parte do apoio oferecido pelo Ministério
do Meio Ambiente para a instalação de um laboratório
de dioxinas e furanos, na sede da agência ambiental paulista, que
vai se constituir no primeiro laboratório do gênero, em um
órgão público no país.
O convênio, publicado no Diário Oficial da União de
31 de dezembro de 2004, foi firmado entre a CETESB, órgão
vinculado à Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São
Paulo, e a Secretaria de Qualidade Ambiental nos Assentamentos Humanos,
do Ministério do Meio Ambiente, envolvendo um montante R$ 627.406,00.
Este valor representa parte dos recursos necessários para a instalação
do laboratório e correrá à conta dos orçamentos
dos dois órgãos, cabendo ao Ministério do Meio Ambiente
o total de R$ 500.000,00 - os restantes R$ 50.000,00 se referem ao exercício
de 2005 - , e à CETESB, R$ 127.406,00, dos quais R$ 114.666,00
representam a programação para o exercício de 2004
e R$ 12.740,00, para 2005.
O plano de trabalho do projeto prevê que a instalação
do laboratório para a análise de dioxinas e furanos, em
área de 120 metros quadrados, deverá estar concluída
em dezembro deste ano. A primeira providência será a desmontagem
da estrutura metálica do galpão localizando ao lado dos
demais laboratórios da CETESB e a preparação do local,
onde o governador Geraldo Alckmin lançou a pedra fundamental da
obra, no final de setembro último, em companhia, entre outros,
do secretário estadual do Meio Ambiente, professor José
Goldemberg, e o presidente da agência ambiental, Rubens Lara.
O presidente da CETESB afirmou que o novo laboratório vai contribuir
para que a agência ambiental paulista "se mantenha na liderança
do setor, na América Latina e Caribe" e lembrou que a companhia
já possui um laboratório para análise de poluentes
orgânicos, mas que a análise de dioxinas e furanos exige
condições bastante específicas de infra-estrutura
e segurança operacional.
Poluentes orgânicos persistentes
As dioxinas e furanos fazem parte do grupo dos poluentes orgânicos
persistentes, conhecidos como POPs, e são subprodutos não-intencionais
de processos industriais e de incineração de resíduos
perigosos e hospitalares, sendo formados, também, em queimadas
e na combustão em veículos, especialmente os movidos a diesel.
As emissões podem ser transportadas a longas distâncias por
correntes atmosféricas e, de forma menos intensa, pelas águas
dos rios e das correntes marinhas. Esses poluentes são altamente
tóxicos, resistentes à degradação e estáveis
no ambiente aquático e terrestre. Dentre os efeitos adversos à
saúde, podemos citar a toxicidade dérmica, a imunotoxicidade
e os efeitos na reprodução, com ação teratogênica,
endócrina e carcinogênica.
Os POPs caracterizam-se, ainda, pela capacidade de se bioacumularem nos
tecidos humanos e de outros animais, principalmente os tecidos adiposos,
e por terem suas concentrações biomagnificadas na cadeia
trófica. Esses poluentes se concentram no leite materno, colocando
em risco a saúde dos recém-nascidos e os consumidores de
leite de origem animal.
Podem também funcionar como mimetizadores de hormônios e,
dessa forma, são desreguladores endócrinos, alterando a
produção hormonal e, conseqüentemente, o sistema endócrino.
Existe uma preocupação maior com as mulheres, pois devido
à bioacumulação desses compostos, que promovem alterações
dos níveis hormonais, coloca-se em risco as futuras gerações.
A sua ação sobre o organismo humano decorre da ingestão
alimentar (carne, peixes e laticínios), contato dérmico
e inalação.
O novo laboratório da CETESB vai representar um avanço na
área de tecnologia ambiental, oferecendo autonomia na detecção
desses poluentes. Entre os equipamentos que serão instalados, inclui-se
um espectrômetro de massa de alta resolução, recebido
do governo japonês em um programa de cooperação internacional,
com valor aproximado de US$ 800 mil.
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