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19/05/2003 Daee multado pela Cetesb por depósito irregular na Lagoa de Carapicuíba
   
 

O Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE) está sendo multado pela Cetesb - Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental em R$ 86.175,00 - 7.500 UFESPs - pela deposição de material não inerte na área de aterramento da Lagoa de Carapicuíba, proveniente da obra de rebaixamento da calha do rio Tietê. O resultado das análises de laboratório realizadas pela agência ambiental nas duas campanhas, realizadas em dezembro e março, constatou a presença de material classificados como de classe 2 (resíduos químicos e compostos orgânicos) na área do aterro licenciado para receber somente material inerte (rocha, terra e outros que não contenham resíduos não-inertes). A Cetesb também constatou a presença de catadores no aterro.

Além da multa, o DAEE está obrigado a apresentar em sete dias um Plano de Gerenciamento do Aterro, visando garantir com maior eficiência o controle de entrada de carga do material dragado destinado à área de aterramento da lagoa, assim como impedir a presença de catadores no local. Outra exigência apresentada pela agência ambiental é um plano de caracterização do material da calha, incluindo locação de pontos de amostragem com distâncias máximas de 200 metros, bem como os parâmetros a serem determinados. Com a aprovação do Plano de Caracterização pela Cetesb, o DAEE terá que apresentar em 60 dias o estudo de caracterização e a demarcação dos trechos do rio em que o material dragado poderá ser depositado na margem da lagoa.

O DAEE foi intimado também a apresentar em 120 dias um Plano de Recuperação da Área para uso futuro, elaborando estudo sobre os danos ambientais e à saúde pública, incluindo, caso necessário, investigação e análise de risco e avaliação dos efeitos à biota aquática.

Laudo da CETESB

As análises do material depositado na margem da lagoa feitas pela Cetesb nas duas campanhas, apontaram a presença de alumínio, ferro e manganês, que classificam aqueles materiais como classe 2, não-inertes (vide tabela abaixo), muito embora esses metais sejam encontradas em quase todo o solo da Região Metropolitana de São Paulo, o que não caracteriza uma situação preocupante ou de grave impacto ambiental. Outras análises realizadas não indicaram situações de desconformidade para os demais parâmetros.
-

 
 
Extrato Solubilizado - Primeira e segunda campanhas
AMOSTRAS Lote 2
OAS
Lote 1
Oldebrecht
Lote 3
Andrade Gutierrez
Lote 2
OAS
Lote 1
OLDEBR
Limite
Máximo
NBR
10004
(mg/L)
P.1 P.2 P.3 P.4 P.5 P.6 P.7 P.8
Parâmetros 28837 28838 28835 28836 28833 28834 28840 28839
Amostragem composta (mg/L)
Alumínio <0,10 0,16 <0,10 0,22 0,17 4,85 0,14 0,14 0,2
Cádmio <0,001 <0,001 <0,001 <0,001 <0,001 <0,001 <0,001 <0,001 0,005
Chumbo <0,10 <0,10 <0,10 <0,10 <0,10 <0,10 <0,10 <0,10 0,05
Cromo <0,05 <0,05 <0,05 <0,05 <0,05 <0,05 <0,05 <0,05 0,05
Fenóis Totais <0,003 <0,003 <0,003 <0,003 <0,003 <0,003 <0,003 <0,003 0,001
Ferro 0,02 0,09 0,89 0,43 <0,02 0,85 0,60 0,77 0,3
Manganês 0,23 0,36 1,09 2,35 0,05 0,15 0,36 0,65 0,1
Zinco 0,04 0,10 0,38 0,37 0,02 0,05 0,18 0,23 5,0
Parâmetros 49108 49107 49106 49105 49110 49109      
Amostragem composta - Segunda Campanha (mg/L)
Alumínio 0,20 0,13 0,16 <0,10 0,17 0,45 - - 0,2
Arsênio <0,002 <0,002 <0,002 <0,002 <0,002 <0,002 - - 0,05
Bário 0,16 0,07 0,13 0,28 0,11 0,11 - - 1,0
Cádmio <0,005 <0,005 <0,005 <0,005 <0,001 <0,005 - - 0,005
Cloreto 1,73 2,10 3,73 1,66 2,84 1,99 - - 250,0
Cromo Total <0,01 <0,01 <0,01 <0,01 <0,05 <0,01 - - 0,05
Fenóis Totais <0,003 <0,003 <0,003 <0,003 <0,003 <0,003 - - 0,001
Ferro <0,10 <0,10 <0,10 <0,10 <0,10 <0,10 - - 0,3
Fluoreto 0,57 0,58 0,59 0,60 0,72 0,62 - - 1,5
Manganês 0,23 0,20 0,53 0,58 0,05 0,17 - - 0,1
Mercúrio <0,001 <0,001 <0,001 <0,001 <0,001 <0,001 - - 0,001
Selênio <0,002 <0,002 <0,002 <0,002 <0,002 <0,002 - - 0,01
Sulfato 100 239 146 <100 - <100 - - 400,0
Zinco 0,03 <0,02 0,07 0,07 0,02 0,04 - - 5,0
DDT N.D. <0,1 N.D. N.D. N.D. N.D.     0,001
-Nota: Limites de detecção dos métodos de análise no extrato solubilizado no laboratório da CETESB:
-DDT: 0,01 mg/L Fenóis Totais: 0,003 mg/L
 


Mortandade de peixes

Os estudos da Cetesb demonstraram que a mortandade de peixes na Lagoa de Carapicuíba registrada na semana passada não teve nenhuma relação com a deposição do material da dragagem do Tietê. A lagoa, por não se tratar de um corpo d´água natural, apresenta condições desfavoráveis à preservação da vida aquática, principalmente pela elevada carga de esgotos domésticos sem tratamento que recebe, e a baixa circulação da água. Estes fatores, entre outros, resultam em um baixo nível de oxigênio em uma lâmina superficial de água e a ausência total deste na parte mais profunda. Com a queda da temperatura registrada nos dias da ocorrência, houve uma circulação da massa de água do fundo, sem oxigênio, para a superfície, causando a morte dos peixes.

 
MONITORAMENTO
REALIZADO NA
LAGOA DE
CARAPICUÍBA
- Acesse aqui o laudo
-
(arqivo em pdf)

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